13/06/08

Pessoa a 120 anos por hora


«Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro?
O processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como um animal. Mas isto, mesmo que não houvesse dificuldade em fazê-lo, não era combater uma ficção social; não era mesmo combater: era fugir. Realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu.
O processo tinha que ser outro - um processo de combate e não de fuga. Como subjugar o dinheiro combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro?
O processo era só um - adquiri-lo, adquiri-lo em quantidade bastante para lhe não sentir a influência; e em quanto mais quantidade o adquirisse, tanto mais livre eu estaria dessa influência.
Foi quando vi isto claramente, com toda a força da minha convicção de anarquista, e toda a minha lógica de homem lúcido, que entrei na fase actual - a comercial e bancária, meu amigo - do meu anarquismo».
O meu "Pessoa" de estimação foi desde sempre, e há-de continuar a ser, o "desassossegado" Bernardo Soares, mas, verdade seja dita: - O "Banqueiro Anarquista" nunca abandonou a minha mesinha de cabeceira desde que nos conhecemos! E isto já lá vai há um valente par de anos!
A velha nota de cem escudos é a suprema ironia!?

2 comentários:

Jofre Alves disse...

Passo para ver e apreciar o blogue e desejar boa semana com tudo de bom.

fotógrafa disse...

SEM DÚVIDA!!!!rsrsrs
abraço