21/12/07

Um pequenito que o vivo sol da vida acarinhou

Torga outra vez; agora a acompanhar os meus votos de “Bô Natal” para todos.

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga, Antologia Poética, Coimbra, Ed. do Autor, 1981


BÔ NATAL

2 comentários:

calções de lã disse...

Bô Natal BocaNegra! :)

O Temível Corso disse...

Bô Natal meu pequeno! Bô Natal é bô Ano Nobo!

Sobretodo um Natal alegre é festexado coa tua família é coas boas xentes da tua terra (ca eu cá coas da minha ilha é certiño que nos advertimos!)

É esse ano de 2008 que se vai xegando, desexo-to sem barraxes nem éolicas para a tua marabilhosa terra, meu balente pequeno!

Ass: O TEMÍVEL CORSO