23/11/07

Alerta-Aproveitamento Hidroeléctrico da Assureira


Por agora é só uma hipótese e tudo leva a crer que não irá passar disso, contudo, embora seja matéria eminentemente técnica, é melhor por-se ao corrente do que é que consta previsto no designado «Projecto de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» (PNBEPH):

«Para o aproveitamento da Assureira adoptou-se o NPA(?) da albufeira à cota 750m, de forma a garantir uma capacidade de armazenamento considerada adequada, representando um aumento de 7m relativamente ao previsto em estudos anteriores. Verifica-se ainda que a rentabilidade económica do aproveitamento melhora quando se aumenta o NPA(?) da albufeira.

Foi adoptada uma solução com central reversível, dado que esta alternativa apresenta condições económicas mais favoráveis quando comparada com a alternativa não reversível.

A restituição dos caudais turbinados será realizada no interior da albufeira existente de Alto Lindoso, à cota 338m.

O caudal do equipamento adoptado foi de 25m3/s, considerando um valor adequado em função do escoamento afluente à albufeira, e que é de 10m3/s superior ao origionalmente previsto.

A barragem foi prevista do tipo betão-gravidade, com uma altura de 35m, criando uma albufeira com uma capacidade de armazenamento de 4hm3. O circuito hidráulico será constituído por um túnel com um desenvolvimento total de 12,2Km e a central será subterrânea e ficará implantada próximo da restituição na albufeira de jusante.

A queda bruta nominal disponível será de 412m e a potência disponível será de 88MW, permitindo uma produção de energia de 119GWh/ano. Para a taxa de actualização de referência adoptada de 6%, a rentabilidade é francamente interessante (a TIR(?) é de 12,4%), sendo o custo actualizado da energia produzida de 0,053€/kWh.
in Projecto de PNBEPH

Apesar da referência, neste último parágrafo, à elevada rentabilidade, a verdade é que nas conclusões do Projecto de PNBEPH, a hipotética barragem da Assureira é uma das não incluídas para efeitos do futuro PNBEPH (lembrem-se que os estudo que vimos citando se trata de um projecto com diversas alternativas a considerar e não uma decisão definitiva), por se considerar que a sua implementação não é necessária para o cumprimento das metas de potência instalada estabelecidas.

Espero que assim seja, porque embora me considere, em muitos aspectos, um progressista, no que diz respeito à protecção do ambiente, das paisagens naturais e do património da minha terra sou um conservador extremista, fanático e perigoso.

29/10/07

As perdizes


Já há muito tempo que não caço nos belos montes da nossa terra. Primeiro os meus velhos camaradas de caça foram falecendo ou "reformando-se" e eu fiquei assim como... sózinho, e acabei por não me integrar em mais nenhum grupo de caçadores castrejos. Depois, a distância também influiu! Sim porque isto de fazer cerca de duas centenas de quilómetros para ir caçar a Castro, afecta não só a carteira mas também a disposição!

Contudo, nestes belos dias de Outono, continuo a sentir o "vicio" e a nostalgia da caça e a lembrar-me de tantos e tão bons momentos passados na senda das perdizes em Porquéguas, no Talefe ou em Barreiras Brancas, na companhia dos meus velhos companheiros e mestres não só na arte da caça mas sobretudo na arte da vida.

Por eles e para os meus caros conterrâneos que, por esta época do ano, continuam sadiamente a galgar e a usufruir dos nossos maravilhosos montes, praticando a nobre arte, fica aqui um grande e forte abraço, com votos de boa sorte, de outro caçador, não praticante é certo, mas para sempre caçador. E convém não esquecer que tal como disse Miguel Delibes, um famoso caçador e escritor castelhano: "Aquilo que um caçador é capaz de fazer por uma perdiz, só outro caçador o consegue entender"


12/10/07

Quando tomavit dominus rex Castellum de Laborario

Afonso Henriques

Estávamos em finais da década de 30, inícios da de 40, do século XII e os vales do Minho e do Lima estavam a ferro e fogo. Afonso Henriques, galvanizado pela vitória conseguida sobre os Sarracenos na batalha de Ourique (25 de Julho de 1137), vira a sua atenção para a fronteira norte do Condado/Reino e invade as terras de Toronho (terras da margem direita do rio Minho cujo o centro de referência era a cidade de Tuy), violando, assim, de modo flagrante, o Pacto celebrado em 4 de Junho de 1137, nesta mesma cidade, no qual tinha ficado estabelecido que tais terras eram propriedade do, auto-proclamado Imperador de toda a Espanha, Afonso VII de Leão.


Afonso VII de Leão

Saliente-se que, antes deste Pacto, tais terras, pertencentes à Condessa Teresa de Leão, passaram a pertencer, por sucessão, ao seu filho Afonso Henriques que, por isso e ainda pela adesão voluntária de parte da nobreza galega e também pela força das armas, se tinha tornado o senhor absoluto de todo o sul da Galiza, nomeadamente das províncias de Toronho e Límia (região do vale do Lima, sensivelmente situada, entre Ponte de Lima e Ourense), suserano dos condes galegos Gomes Nunes e Rodrigo Peres; vencedor da batalha de Cerneja e senhor da cidade de Tui.

Furioso com o primo irrequieto, o Imperador ordena a invasão do Minho e consequentemente, o Castelo de Laboreiro (de capital importância estratégica por se situar entre os vales dos dois rios, dominando os, então, chamados Montes de Laboreiro) é tomado pelos Leoneses capitaneadas provavelmente pelo Conde Galego Fernando Anes (Enes), Alcaide de Allariz.


Afonso Henriques, com aquela inquebrantável energia e visão estratégica que o haveriam de tornar num dos mais temidos senhores da guerra Europeus do Séc XII, não se fica! E, provavelmente, em 1140, cercou e retomou o Castelo de Laboreiro devolvendo-o ao domínio do, então e apenas auto-proclamado, Reino de Portugal.




Na altura o Castelo deveria ser uma velha fortaleza roqueira assente sobre as ruínas de uma povoação fundada, algures, na idade do ferro. Fortaleza esta que terá sido, eventualmente, restaurada entre o Sec. IX e o Séc. X, quando esteve sob o domínio da família Mendo, Mendes ou Menendez, a quem as terras dos Montes Laboreiro, juntamente com a região de Bubal e maior parte da região da Límia, foram doadas por Afonso III, o Magno, Rei das Astúrias, de Leão e da Galiza (866-910) e entre outras coisas, conquistador das cidades do Porto e de Coimbra.

Com efeito tais terras foram doadas ao Conde do Porto e Tuy, Hermenegildo Mendo, como prémio pela vitória alcançada contra o Conde Galego Witiza, ou Guicia, que revoltando-se contra Afonso III, delas se tinha apoderado. Convém ter presente que a lenda atribui ao neto do Conde Hermenegildo Mendo, o famoso São Rosendo (personagem incontornável da Gallecia do Sec. X), a fundação ou a refundação do Castelo de Laboreiro, isto muito embora não existam fontes documentais conhecidas que atestem, inequivocamente, esta possibilidade.

Para levar a bom porto o cerco do Castelo de Laboreiro, Afonso Henriques, careceu do apoio da nobreza e do clero da região. E tal apoio foi-lhe dado! Designadamente, a abadessa do mosteiro de São Salvador de Paderne, Elvira Serrazins ou Serracine, contribuiu com dez éguas e respectivas crias; 30 moios de vinho (para animar a soldadesca sedenta, digo eu!); um magnífico cavalo avaliado em 500 soldos e ainda cem áureos.

Agradecido, Afonso Henriques, em 16 de Abril de 1141, concede uma carta de couto ao mosteiro de São Salvador de Paderne. Esta carta, que conta já com a bonita idade de 866 anos, e é a mais antiga referência documental conhecida sobre Castro Laboreiro, ou pelo menos sobre o seu castelo, reza assim, na parte que nos importa:

«(…) isttum fretium et servitium fuit datum quando tomavit dominus rex Castellum de Laborario».

Ou seja:

«Este valor e este serviço foram prestados quando o Senhor Rei tomou o Castelo de Laboreiro».

E assim, como diz o ilustre e criterioso historiador Castrejo, Padre Manuel António Bernardo Pintor (Ribeiro de Cima, 1911 – Monção, 1996): «Este castelo em ruínas tem a subida honra de ter experimentado a bravura indómita do primeiro rei de Portugal que nos deixou o primeiro testemunho histórico da sua existência.»

Bibliografia:

ALMEIDA, Carlos A. Brochado de – “A Couraça nova da Vila de Melgaço; Resultado de uma intervenção arqueológica na Praça da República”; Portvgália, nova série, 2003

AMARAL, Diogo Freitas do – “D. Afonso Henriques – Biografia”. Bertrand Editora; 3.ª Edição-2000.

DOMINGUES, José – “O Foral de D. Afonso Henriques a Castro Laboreiro, “adito” para o debate”; Núcleo de Estudos e pesquisa dos Montes Laboreiro, 2003.

DOMINGUES, José – “O Direito de padroado da igreja de Castro Laboreiro na Idade Média”, Boletim Cultural de Melgaço, Câmara Municipal de Melgaço, 2002.

PINTOR; Manuel António Bernardo – “Castro Laboreiro e os seus Forais”, separata de Bracara Augusta, vol. XVIII-XIX, n,º 41-42, Braga, 1965.

PINTOR; Manuel António Bernardo –“ O Recontro de Val-de-Vez. Onde foi?, Braga, 1977.

RODRIGUES, Teresa de Jesus –“D. Afonso Henriques e o Alto Minho”, Revista de Guimarães, n.º 106, 1996.

TEJEDO, Manuel Carriedo – “XI Centenário de San Rosendo (907-2007); Patrono de Mondoñedo-Ferrol e Símbolo de Galicia”; Nuevas, 2007.

04/10/07

No "renque"

Se consultarmos um dicionário ficamos a saber que “Renque” deriva, etimologicamente, do Provençal (Occitano) “Renc” e/ou do Germânico “Hring” e significa uma fileira, uma fila ou uma série de pessoas ou coisas alinhadas. Trata-se de uma palavra em franco desuso no português norma actual, ignaramente substituída pelo anglicismo “Rank” ou “Ranking”.

Apesar destes modernismos bacocos, há um poema famoso de Alberto Caeiro (pseudónimo de Fernando Pessoa) que imortaliza a palavra "Renque". Chama-se “Um Renque de Árvores” e reza assim:

Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são cousas, são nomes.

Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de cousa a cousa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!


Em Castro Laboreiro, o “Renque” é um sítio informal, onde costumeiramente os Castrejos se encontram (se alinham!) nos seus momentos de ócio ou a caminho dos seus afazeres quotidianos e, prazenteiramente, se demoram a pôr as novidades em dia, falando do tempo, da agricultura ou de qualquer outra novidade mundana que os traga intrigados. Embora com conotações bem mais modestas, é algo assim como o “Largo” dos alentejanos tão bem descrito e caracterizado por Manuel da Fonseca na sua obra intitulada o “Fogo e as Cinzas”.

Eis aqui esta preciosa fotografia onde se vê Castrejos autênticos num Renque autêntico:



Autor: Phoenix Ocean
Fonte: Flickr

01/10/07

21/09/07

Em jeito de homenagem

Deixo aqui este filmezinho em jeito de homenagem às minhas conterrâneas e conterrâneos que deram vida ao extinto Rancho Folclórico de Castro Laboreiro.

Porque não faze-lo renascer? Não era propriamente o melhor Rancho do mundo! mas era o NOSSO Rancho!



(Este vídeo foi colocado no Video Goggle, em 21/11/2006, por autor não identificado)

18/09/07

Fronteiras

É facto consabido que as fronteiras político-administrativas dificilmente coincidem com as fronteiras culturais e linguísticas.A Galiza nesse aspecto é um "case study", tanto no que concerne às suas fronteiras orientais, com as Astúrias e com León (a designada Galiza Irredenta), como no que concerne à sua fronteira meridional, com Portugal (Alto Minho e Trás os-Montes). Aliás, neste último caso, o mesmo se pode dizer se analisarmos a questão do lado português!

O documentário que se segue, realizado por Rúben Pardiñas e divulgado na Televisión de Galicia no dia 25 de Julho de 2007, demonstra precisamente isso e ainda algo de mais importante: - Que as segmentações politíco-territoriais, só por si, são incapazes anular a comunhão cultural e linguística vigente entre os Povos de matriz galaico-portuguesa.

O documentário tem a duração de 57:21m, para os que não tiverem paciência aconselho, pelo menos, que vejam do minuto 43:27m em diante, garanto-vos que não se arrependerão!

14/09/07

O tratorzinho

Era sexta-feira à tarde e, à sombra da velha muralha, a feira de Melgaço fervilhava de actividade. Eu lá andava, de tenda em tenda, a esvoaçar por entre as pernas dos fregueses. Passei sem olhar pela tenda dos sapatos, e mesmo antes de chegar à tenda dos “pitinhos” e dos coelhos, encontrei aquilo que procurava: - A tenda dos brinquedos!

Os meus olhos, deslumbrados, esbugalharam-se! Estavam lá todos aqueles que interessavam. Os camiões, os carrinhos, as espingardinhas de bareta e, sobretudo, aquele que me trazia cobiçoso desde que o tinha visto nas mãos enlameadas do meu vizinho, com que brincava às tardes, depois da escola: - Um tratorzinho com carroça e tudo.

Fitei-o sem saber se lhe havia ou não de tocar! Olhei para o dono da tenda e este lançou-me um despreocupado e convidativo olhar azul. Não resisti! Sentei-me no chão, peguei-o e comecei a roda-lo por uma vereda imaginária, tendo o máximo cuidado para fazer bem as curvas, de modo a que a carroça, carregada de lenha, não se virasse.

- “Larga isso filho”. Troou a voz da minha mãe, rasgando a nuvem translúcida da minha fantasia.

- “Mas Mãe é igualzinho àquele que eu queria”. Disseram os meus olhos subitamente húmidos.

- “Non pode ser! É mui caro!” Disse implacavelmente a minha mãe em tom de fim de conversa.

-“Dá-lho mulher, dá-lho! Ca mais bale um gosto na bida do ca cem bombos na hora da morte”. Disse a voz meiga e cansada da minha avó.

O tratorzinho já há muito tempo que não existe, perdi-o nalguma recôndita vereda da vida, mas há-de sempre existir o sorriso doce e maternal da minha falecida avó, enquanto os meus beijos felizes lhe orvalhavam o rosto agreste.

11/09/07

No dia que t’eu nõ bêjo, meus olhos são duas fontes

JOSÉ LEITE DE VASCONCELOS (Ucanha, 07/07/1858 - Lisboa, 17/05/1941), de quem já tive a oportunidade de vos falar no “post” intitulado Conversa Castreja I, é considerado o “pai” da Antropologia portuguesa moderna. Ora, este eminente cientista social português, publicou em 1916 no volume XIX, a págs. 270 a 280, da Revista Lusitana (da qual foi fundador) um texto designado “Excursão a Castro-Laboreiro”, cujo primeiro parágrafo passo a citar:

«Em 1904, estando a veranear nas Agoas do Peso, fiz uma excursão a Castro-Laboreiro em companhia do Rev.º Manoel José Domingues, Abbade de Melgaço. A excursão foi muito breve. Partimos num dia de manhã e voltamos no dia seguinte depois do almoço. Tomei porém algumas notas ethnographicas e dialectologicas que poderão ter utilidade para os estudiosos; e por isso aqui as publico, pouco mais ou menos na mesma fórma em que as tomei».

Seguem-se a descrição da “Excursão”, bem como as notas, apontamentos e reflexões do cientista, às quais, provavelmente, voltarei em “posts” futuros, uma vez que o que agora me interessa é publicar umas curiosas amostras de poesia popular coligidas em Castro pelo Mestre Leite de Vasconcelos e que se encontram a págs 277 e 278.

Ora aqui vai:

Adeus, ó bila de Crasto,
As costas lh’eu bou birando,
Im que lh’eu as costas bire,
Meu coraçom bai chorando.

Adeus, ó bila d’Acastro,
Probência de Tras-os-montes,
No dia que t’eu nõ bêjo,
Meus olhos são duas fontes (1)

Adeus, ó terra de Crasto
As costas te bou birar,
Bou para o bal de Chabes (2)
Donde m’eu bou desterrar.

Fita berde no chapéu
Meu amor, nõ lh’a ponhais,
Dá-lh’o bento abole, abole…
E eu côido que m’açanais!

Heid’ amar o cordom berde,
Im quanto tiber berdura,
Hei-d’amar a quem quijer
Q’inda nõ fije scritura.

Neste lenço deposito
Lágrimas que por ti choro
Por nõ poder alcançar
Os braços de quem adoro

Esses teus lindos olhos
Som cadeias de bom ferro,
Prisões que me a mim sigurã…
Eu outras já as nõ quero.

Alfaite, guarda a filha,
Nõ na ponhas na jenela,
Os soldados da marinha
Nõ tirã os olhos dela.

Alfaites nõ som homes,
Nem se lhes póde chamar,
Quando pérdim uma agulha,
Logo se põ a chorar!

(1) Variante insciente de uma cantiga aplicada a Vila-Real de Trás-os-Montes.
(2) Vale de Chaves»

E pronto! Tirando os Alfaites(!) penso que toda a gente gostará de conhecer esta cantiguinhas que se cantavam na nossa Terra nos finais do Século XIX, princípios do Século XX

06/09/07

Rio Minho na Jamaica?

Esta não é sobre Castro Laboreiro, mas é tão curiosa que não resisto a contar-vos:

Sabem que existe um rio na Jamaica chamado Rio Minho? Pois é verdade! E para além do mais tem 92,5 Km de extensão (bastante menos que o nosso Rio Minho que tem 342 Km) o que faz dele o maior curso de água doce daquela ilha caribenha!




A azul: Curso aproximado do Rio Minho na Jamaica


E por obra de quem um rio na Jamaica se chama Rio Minho? Perguntam vocês com toda a razão!

É fácil de responder: - Por obra dos Espanhóis, isto porque a Jamaica foi uma colónia espanhola desde a sua descoberta por Cristóvão Colombo em 1494, até ser conquistada pelos Ingleses em 1655. Mas o que é sobremaneira curioso é o facto da grafia correctada palavra ser “Minho”, portanto na versão portuguesa, e não “Miño” como seria na versão castelhana da palavra! Há com toda a certeza uma explicação para isso, contudo não tive habilidade suficiente para a descobrir! Outra curiosidade é que a designação oficial do Rio é mesmo “Rio Minho” e não “River Minho” ou sequer “Rio Minho River”, o que é estranho se atentarmos ao facto de a Jamaica ser um país anglófono.

Já agora ficam também saber que a bela Jamaica, para além de ser a pátria dos inesquecíveis Bob Marley e Peter Tosh, do Reaggae e da religião e cultura Rastafari é a terceira maior ilha do Arquipélago das Caraíbas e é uma nação independente desde o dia 6 de Agosto de 1962. O seu actual sistema de governo é a Democracia Parlamentar e é, como quase todas as ex-colónias inglesas, um membro da Commonwealth of Nations. Para além disso importa saber que sua capital actual é a cidade de Kingston, que sucedeu a Port Royale e Spanish Town, as duas antigas capitais coloniais da Jamaica.


Espero que tenham gostado desta pequena excursão ao Rio Minho e à esplendorosa ilha da Jamaica, eu, agora, fico “prá aqui” a trautear a mais luminosa e optimista canção do grande e saudoso Marley (com quem JAH deve, seguramente, fumar uns valentíssimos charros, enquanto ensaia uns passinhos de Reaggae):

Baby don’t, worry,
about a thing,
‘cause every little thing,
is gonna be all right…

04/09/07

O Tomás das Quingostas

O Boaventura Eira-Velha, ilustre Cavenquense e autor do magnífico Blog Memórias…, num comentário ao “post” Conversa Castreja V diz-nos que embora não haja documentação que claramente o comprove é mais do que provável que tenha existido o Tomás das Quingostas, que terá sido uma figura equiparável ao famoso Zé do Telhado, ou seja uma espécie de Robin dos Bosques à portuguesa. Bom, a coisa deixou-me curioso e decidi fazer uma pequena investigação para tentar descobrir mais alguma coisa sobre este mítico bandoleiro raiano.

Ora, o que de mais significativo fiquei a saber foi da publicação recente (Edição de Autor) de um romance histórico com base nesta personagem, intitulado “ O Tomás das Quingostas” da autoria de José Alfredo Cerdeira.

Fiquei ainda a saber que no passado dia 11 de Agosto, no âmbito do 6.º Congresso de História Local, organizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro, foi efectuada uma apresentação deste romance por parte do seu autor e que, para além disso, também no âmbito deste Congresso, Joaquim Rocha dissertou sobre a “Vida de Tomás das Quingostas”. Lamentavelmente não estive presente nesta manifestação cultural, porque não tenho qualquer dúvida tanto do interesse do romance como da mencionada dissertação.

Resta contudo a possibilidade de adquirir o Livro e de assistir à uma outra apresentação do romance que será levada a cabo pelo seu autor no próximo dia 28 de Setembro na Livraria Centésima Página sita no n.º 118/120 da Avenida Central em Braga. Infelizmente não terei a oportunidade de ir a esta apresentação, mas logo que possa adquirirei o romance em causa, embora não preveja grandes facilidades, uma vez que sendo, como é, uma Edição de Autor, deve ter sido objecto de uma tiragem reduzida.

Descobri também que no 10.º volume (X da 1.ª Série) – 1960, do Arquivo do Alto Minho existente na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, consta um artigo da autoria de Francisco Cyrne de Castro, intitulado “Notícias de Tomás das Quingostas”. Logo que tenha oportunidade irei à bela cidade de Viana procurar este artigo na Biblioteca Municipal, para vos reportar mais algumas coisas sobre o misterioso Tomás.

Outra coisa interessante, embora miúdinha, que descobri, foi que o extinto grupo galego de música Rock, chamado “Os Diplomáticos de Monte-Alto” originário da Coruña e um dos pioneiros e maiores representantes do movimento Bravú, editaram um disco em 1999 designado “Capetón” onde consta uma música intitulada “Tomás das Quingostas”. Lamentavelmente também não consegui detectar nem a música nem sequer a letra, mas dá para perceber que a fama do Tomás chegou mesmo à Coruña!

Os Diplomáticos do Monte-Alto

03/09/07

Notas sobre a toponímia de Castro Laboreiro IV - ANTÕES


ANTÕES [42° 3'20.42"N; 8° 8'29.41"O; Alt: 1061m]:
ANTÕES ou ANTÔNS (na pronúncia castreja) é um topónimo que poderá ter duas possíveis origens:

Poderá tratar-se do aumentativo (plural) de ANTA (monumento megalítico, formado por uma grande pedra horizontal colocada sobre outras mais pequenas e verticais).

Por outro lado o topónimo poderá ter a sua origem no plural de ANTÃO, que era a forma medieval do nome António, o que poderá indiciar que este lugar terá sido fundado por uma pessoa chamada Antão/António e que com o correr dos anos se associou o nome do lugar ao nome do seu fundador e/ou da sua família que seriam os Antões ou seja os descendentes do Antão.

Pessoalmente inclino-me para esta segunda possibilidade, uma vez que embora no planalto a norte dos Antões existam Antas (trata-se mesmo de uma das maiores concentrações de arte megalítica da Europa Ocidental!), julgo que esta palavra “Anta” nunca terá sido usada em Castro. Com efeito estes monumentos megalíticos são ainda hoje designados em Castro por “MOTAS” ou então, no caso de estarem soterradas, por “MAMOAS”.

Os ANTÕES, é uma Branda da margem direita do Rio Laboreiro, sendo que os seus habitantes mudam sazonalmente para as Brandas de Picotim, Açoreira e Corveira, a primeira e a segunda na margem direita do Laboreiro e a terceira na margem esquerda.

Nos ANTÕES existe uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, cuja festa é celebrada no dia 29 de Agosto de cada ano.

30/08/07

Cabrito de Castro Laboreiro à moda antiga.


INGREDIENTES:

- 1 ou 2 Kg. de Cabrito nado e criado em Castro Laboreiro (de preferência no Ribeiro de Baixo ou de Cima!) cortado em pedaços de cerca de 100 gr;

- Vinho verde tinto qb.;

- Alhos qb.;

- Uma ou duas cebolas;

- Batatas produzidas em Castro Laboreiro;

- Azeite qb.;

- Um ramo de salsa;

- Uma ou duas folhas de loureiro;

- Uma Colher de colorau (vulgo pimentão doce);

- Sal e pimenta qb.

MODO DE PREPARAÇÃO:

Lava-se a carne com água bem fria e retira-se o excesso de gorduras. Depois coloca-se a mesma a marinar em vinha d’alho durante, pelo menos 24 horas.

Decorrido esse tempo, coze-se a carne em água temperada com sal. Quando estiver bem cozida, retira-se a água reservando-se cerca de ½ litro da mesma, após o que se rega o cabrito com um pouco de azeite.

Cozem-se as batatas à parte e colocam-se numa travessa sob a carne do cabrito.

Para o molho adiciona-se um pouco de azeite à água de cozer a carne, junta-se a cebola e a salsa picadinhas, bem como o loureiro o colorau e a pimenta. Mistura-se tudo muito bem e despeja-se uma parte sobre a carne e as batatas, colocando-se o restante numa molheira.

E pronto! Bom apetite!

28/08/07

Faltaram as barraquinhas, faltou o Rancho, faltaram as Concertinas!

Após um mês a "bergar a mola" cá estou eu de novo minha gente! E tenho a dizer que fui a Castro no 15 de Agosto e que vim de lá feliz e infeliz como normalmente acontece sempre que de lá venho!

A infelicidade decorre da pouca expressão que teve a "Festa" do 15 de Agosto. É que, para além do tempo não ter ajudado, ao contrário do ano passado faltou o clima de festa e a animação, faltaram as barraquinhas, faltou o rancho, faltaram as concertinas! Que diabo! Será assim tão difícil organizar uma "festinha" como deve ser!

Mas como disse também tive motivos para vir feliz. E são dois:

Em primeiro lugar e pela primeira vez a Concurso dos Cães foi organizado e gerido pela nóvel Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro, formada por uns bravos rapazes da nossa Terra! É assim mesmo pessoal! Finalmente esse evento tão importante para a valorização dos nossos nobres cães é organizado por nós, sem intromissões externas, designadamente por Clubes com sede no Bombarral!

O segundo motivo que me traz feliz é o de saber que o território de Castro continua imune à praga das "eólicas" que nascem por todo o lado como cogumelos degradando e desfeiando paisagens milenares (meu Deus o que fizeram à "Cabeça do Pito"!). Compreendo que haja benefícios económicos e sobretudo ambientais, mas em Castro não por favor!