27/03/09

A casa que ardeu na primavera

Busco e rebusco, no alforge das nossas vidas, as palavras da nossa infinita e inconsequente tristeza. Mas paro por aí! Aquele velho pudor tão castrejo, aquela singela e tão lapidada nobreza de sentimentos, legada por gerações e gerações de mulheres e homens que fizeram desta terra áspera o seu berço, não deixam, felizmente, que me desdobre em banais e risíveis lamúrias poéticas.

Há, contudo, uma casa que ardeu na primavera. Uma casa de uma nossa "bezinha" das Coriscadas! Uma "bezinha" que não é uma "bezinha" qualquer! É uma respeitada e querida senhora, melhor dito na nossa fala: -uma "Tia", com mais de 70 anos plenos de uma esforçada e sofrida vida.

O que sentirá uma mulher (viúva há muitos, demasiados, anos!) que, de repente, após 70 longos anos, num brutal e estarrecedor incêndio de primavera, vê a casa da sua vida desvanecer-se em faúlhas?

Não sou capaz de saber! Embora consiga imaginar o feroz reflexo das labaredas nos olhos infinitamente tristes desta minha "bezinha", não vejo nem sinto, embora pressinta, a dor perplexa dos despojados. Não o despojo material, pois a esse nível, tenho a absoluta certeza que nada lhe faltará, tendo o filho que tem; mas antes a dor de quem se vê irremediavelmente despojada da suas queridas e insubstituíveis memórias.

Falham-me as palavras. Não me apetece escrever mais!

07/03/09

Arromba até ao outro lado

Vocês sabem que eu procuro não ser muito exibicionista?!

Porém, hoje à noite só me apetece ouvir isto! Que hei-de fazer?! Os anacrónicos acordes iniciais do "baixo", misturados com as teclas, barrocas e californianas, provocam-me uma reacção tão "pavloviana" que até já sinto, e coço, os incomodativos e enxovalhantes pruridos da acne!

Ah! Já agora não se esqueçam de descobrir quem é o vocalista (não é nada díficil e a vossa cultura geral agradece!)

28/02/09

Um arrepio nas costas

Vou dizer-vos a verdade: - Sou um tipo cá de cima! Por isso nunca pensei (sobranceria minha!) que os melancólicos cantares e os tristonhos trinados das guitarras de Lisboa fossem compagináveis com os hábitos ou com as gentes e, muito menos, com as velhas pedras de Castro Laboreiro!

Pois enganei-me e é por isso que agora estou aqui! - Meio aparvalhado; com um nó na garganta e um arrepio nas costas!



Montagem: Xoan Arcodavella

Música: Mariza (a chuva)

21/02/09

A igreja

A velhíssima igreja de Castro Laboreiro (embora a sua actual configuração seja fruto da reconstrução a que foi sujeita entre 1775 a 1785, a sua fundação remonta provavelmente ao Séc. X, senão a época anterior!) vista de um modo que só um galego a poderia ver:



Autor: Xoan Arco da Vella

Obrigado Xoan. Deus tch'abençoue.

20/02/09

Entroido



Cá estamos nós de nobo no Entroido! Así que: - Ala farrangalheiros! A debertir-se!

15/02/09

The killer in me is a killer in you


A minha mulher flanou displicentemente aqui pelo "Blog" e disse-me que: - Lulas! Ainda que sejam à Castro Laboreiro não têm nada ver com o dia dos namorados!

E vai daí, não se coibiu de me dizer que, para honrar o tal dia dos namorados, deveria colocar no Blog a música do nosso "engate"!

Eu disse-lhe que não! Que a musiqueta em questão embora seja extremamente untuosa para nós dois, não merece, dado o tema incidir sobre uma criança excêntrica, ser seleccionada para banda sonora do dia dos namorados.

Ela, que nunca foi forte no inglês, disse que sim! Que tinha tudo a ver! Que a letra é perfeita! Que "The killer in me is a killer in you!" é a definição perfeita do casamento!

Perante esta boca, recriminei-me, uma vez mais, por ter casado com uma mulher sedutora e inteligente (são chatíssimas e inevitáveis!); e, sem pachorra, nem convicção para contradizer, aqui vos deixo a musiqueta em apreço:


Disarm. Smashing Pumpkins.

14/02/09

Lulas recheadas à Laboreiro


Ora aqui vai uma receita "mui própria" para o dia dos namorados:
-6 lulas
-75 gr. de manteiga
-2 tomates
-1 ramo de salsa
-2 colheres de pão ralado
-2 colheres de farinha
-1 decilitro de molho espanhol
-1 decilitro de azeite
-1 decilitro de vinho branco
-1 cenoura
-1 limão
-3 cebolas
Pica-se metade das cebolas acima mencionadas e refogam-se no azeite. Em seguida, juntam-se ao refogado o tomate picado, sem peles nem sementes, os tentáculos das lulas (picados), a farinha e o pão. Mexe-se tudo bem e tempera-se com sal e pimenta, devendo ferver por espaço de 5 minutos.
Enchem-se as lulas com este preparo, cosem-se-lhes as aberturas com (...) o resto da cebola e a cenoura cortada às rodelas, folhas de louro, pés de salsa e colocam-se-lhe as lulas em cima (do preparo restante). Picam-se estas com uma agulha para que não rebentem, tapam-se e levam-se a cozer em lume moderado.
Quando as lulas estiverem enxutas, regam-se com vinho branco e molho espanhol e, depois de cozidas, passa-se o molho, no qual se conservam até ao momento de se servirem.
Adiciona-se o sumo de limão acima indicado e, servem-se, dentro de prato coberto, polvilhadas com salsa picada.»
E agora lá vem a sacrossanta pergunta: - O que é que as lulas têm a ver com Castro Laboreiro? Porque "carvalhos" existe uma receita de lulas designada "à laboreiro"?
Eu digo: - A receita embora seja designada "Lulas recheadas à Laboreiro", nada tem a ver com Castro Laboreiro! Nada mesmo! Nem sequer o recheio! Pois nem sequer neste se detecta o mais leve resquício do oloroso e salivante presuntinho ou dos célebres e capitosos fumados da nossa abençoada terra, que por certo lhe ficariam bem!
Então de onde provirá essa inquietante designação: -"(...) à Laboreiro"?
Pois aqui vai, para vossa ilustração, a razão de tal mistério:
Esta receita é da autoria de um famoso "chef" português chamado Manuel Ferreira, que lá para os princípios da década de 30 do século passado, publicou uma obra designada: - «A Cozinha Ideal - Cozinha Pastelaria e Bar».
Nada solene ou intimidatório, o título, como podem ver! É contudo e pelo que pude saber, uma obra, ainda nos dias de hoje, de referência para todos os profissionais portugueses da deliciosa arte (ou pelo menos para os mais cultos!).
Bom! Para esclarecimento do nosso mistério diz-nos o "Chef" Manuel Ferreira, em nota que passo a citar: - «esta receita denominou-a o autor à Laboreiro, em homenagem a uma pessoa que não teve a honra de conhecer pessoalmente, mas que lhe disseram chamar-se Simão Laboreiro. Velho frequentador da Cervejaria Jansen, quando o autor era ali chefe de cozinha, aí pelos anos de 1920 e 1921, desde o dia em que, pela primeira vez, esse cliente comeu as lulas preparadas por este molho, lhes deu a sua preferência, pelo que, sempre que lá voltava, as pedia. Eis a razão por que o autor lhe dedica esta fórmula.»
Ora aqui está: - As lulas nada têm a ver com Castro Laboreiro; contudo, não deixa de ser um belo prato para celebrar o dia dos namorados! "Non bos parece"?
P.S: - O que é engraçado e tem mistério é o sobrenome do senhor Simão! Laboreiro? Só pode ser originário da nossa terra dizem os mais orgulhosos! Calma! Vou investigar e já vos direi algo.

11/02/09

"Os da Vila"

Ó Gente da "Bila":
- Venham por aqui e leiam isto! Mas tenham cuidado com a "possição" que assumem, isto porque, sem darem conta, ainda vos começam a nascer ventoinhas nas costas, coisa que, para extrair, é bem pior que um quisto! E, sobretudo se prezam o lustro dos sapatos e a vossa salubridade mental, evitem chafurdar na bosta!

Havendo qualquer dúvida sobre o teor de tão elucidativos textos, não percam tempo com o truculento mensageiro! Vão à fonte! Perguntem ao "eólico" Presidente da Junta da Freguesia do Soajo!

01/02/09

Cavalinho no prado a comer...

Down Under-Men at Work-Dortmund 1983 (Live)

Alguém se lembra?

Duvido!

24/01/09

Respirar ar puro


Castro Laboreiro na edição on-line do Jornal de Notícias de 24/01/2009.

23/01/09

A Birra do Defensor


Sejamos claros, objectivos e rigorosos: - Defensor Moura foi e é o melhor Presidente da Câmara que Viana do Castelo teve desde, pelo menos, o 25 de Abrl de 1974. Quem não seja comprometido politicamente e tenha o mínimo de ombridade e honestidade intelectual facilmente o reconhece. Por isso mesmo, por ser um Presidente de Câmara inteligente, proactivo, assertivo, não é fácil de entender a "birra" que criou à volta da integração do Município de Viana na Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima!
Reduzida ao essencial, a questão traduz-se no seguinte: - Para melhor aplicar os financiamentos provenientes da União Europeia e que se encontram inscritos no chamado QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) o Governo ditou que os 308 municípios portugueses tinham de se integrar em Comunidades Intermunicipais, o que, diga-se em abono da verdade, faz todo o sentido, na medida em que grande parte dos projectos e investimentos que podem recorrer aos ditos financiamentos, serão, naturalmente, transmunicipais.
Para tanto, em 27 de Agosto de 2008 a Lei n.º 45/2008, estabeleceu o regime jurídico do associativismo municipal, associativismo esse que passa por vária formas, designadamente, pelas chamadas Comunidades Intermunicipais. Sobre estas, e entre outras coisa, dispõe o referido diploma legal que o Conselho Executivo é formado pelos Presidentes das Câmaras do Municípios integrantes que elegem entre si um Presidente e dois Vice-Presidentes.
Pois é neste ponto onde dói ao Dr. Moura. Segundo ele a representação neste órgão executivo deveria ser proporcional à população de cada Município, o que como facilmente se vê colocaria Viana numa posição dominante relativamente aos outros concelhos do distrito, uma vez que em termos demográficos nenhum deles se aproxima sequer aos calcanhares de Viana. Assim como está, a cada Município corresponde um voto e por isso mesmo será necessária que todos colaborem de forma franca e aberta e se atinjam consensos sobre os investimentos a fazer no distrito; sendo que quanto mais unidos e colaborantes se mostrarem, melhor será, não só para a boa gente que vive no concelho de Viana como para todos os outros residentes nos concelhos do Alto-Minho.
Para quem pense que a tese do Dr. Moura, faz algum sentido ou possui alguma utilidade, basta atentar neste facto: - Dos 308 municípios do país nenhum deles encontrou qualquer entrave nesta questão da representatividade no Conselho Executivo das CIM! Nenhum à excepção de Viana! Nem os grandes municípios de Lisboa e Porto, nem os municípios de média/alta dimensão como Braga ou Aveiro se puseram a espingardar que os pobres coitados de Baião, Amares ou Ílhavo não merecem a mesma representatividade no dito órgão! "Nenhunzinho"! O único e orgulhosamente só, foi mesmo o Dr. Moura, que pensa que os Melgacenses ou os Courenses não são gente que mereça mandar tanto como os Vianenses. É uma tese egoísta e ensimesmada a do Dr. Moura, e mesmo anacrónica neste tempo em que cada vez mais os valores da união e da solidariedade são determinantes para enfrentar um futuro cada vez mais incerto.
Bom! Em função disto o Dr. Moura, convicto da razoabilidade da sua tese operou de forma a que a Assembleia Municipal de Viana deliberasse no sentido de não aprovar a integração do Município na CIM (Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima), entretanto constituída pelos restantes Municípios do Distrito. Vai daí, a oposição na Assembleia Municipal, julgo que terá sido o PSD, propôs a realização de um referendo municipal por forma a que os Vianenses, directamente, escolhessem se pretendem ou não integrar a CIM. O Dr. Moura aceitou o referendo mas fez "birra" dizendo que se os Vianenses optassem pela integração ele se demitiria da Presidência da Câmara.
Este referendo vai realizar-se no próximo domingo dia 25 de Janeiro e a posição favorável à integração tem sido defendida por um Movimento de Cidadãos Vianenses que criaram uma plataforma designada Naturalmente CIM, por via da qual têm dinamizado uma campanha cuja a palavra de ordem é "SIM É NATURAL".
Eu não sou Vianense, sou Castrejo e como tal Melgacense, nasci e criei-me numa das terras mais ásperas do Distrito de Viana e embora já não resida há muitos anos na minha querida terra natal, nunca ninguém ouviu nem ouvirá da minha boca outra resposta à pergunta "donde és?", que não seja: -Sou de Castro Laboreiro, sou do Alto Minho.
E é como todo esse orgulho de ser Alto-Minhoto, com a consciência plena de que quando estou em qualquer aldeia, vila ou cidade dessa nossa terra amada, me sinto na minha pátria priomordial, rodeado pela minha gente, que daqui, deste meu modesto Blog, faço dois despretensiosos apelos:
- O primeiro, a todos os meus amigos Vianenses (que são uns privilegiados pois habitam na cidade mais bonita de Portugal!) para votarem SIM, porque é mesmo Natural!
-Ao Dr. Defensor Moura, para que, caso ganhe o SIM no referendo, reconsidere a sua posição e não se demita, pois como comecei por dizer não tenho a menor dúvida que é um dos melhores, mais probos e diligentes autarcas portugueses e por isso a sua demissão não só lesaria profundamente os interesses de Viana como da própria Comunidade Intermunicipal do Minho-Lima.

21/01/09

Telefonei pra Tóquio só pra te ouvir cantar


João Aguardela (1969-2009)

Morre-se sempre um pouco, quando morrem as pessoas que nos fizeram sentir felizes.

Adeus João. Até mais ver.

14/01/09

Gaza?

Dirty Harry. Gorillaz

04/01/09

Estrada para Castro Laboreiro

Estrada da Montanha. Madredeus e a Banda Cósmica.

«(...) o azul profundo do mar (...)» é que talvez acabe por não bater certo!?

Num tempo em que somos, cada vez mais, uma colónia cultural anglo-saxónica, é um privilégio poder ouvir, ver e usufruir, uma canção como esta, que, tão simplesmente, contém em si mesma toda a beleza e singularidade do "universo" português: - De Castro Laboreiro a Cabo Verde, passando pela Baía de Luanda ou pela Ilha de Moçambique e, daí, até às mais rebuscadas esquinas do mundo...

Uma verdadeira e inestimável jóia portuguesa!