08/09/08
O cigano belga e o latino francês
Ouçam estes dois! O latino era francês, filho de italianos e um mestre do violino "Jazz"! Chamava-se Stéphane Grapelli (1908-1997). Já o cigano era Belga! Chamava-se Django Reinhardt (1910-1953) e foi um guitarrista realmente extraordinário e ainda hoje absolutamente inimitável (olhem bem para os dedos mínimo e anelar da mão esquerda do homem e verão que pura e simplesmente não tem falanges)!
Resta só dizer que o Jazz europeu nunca mais foi o mesmo depois destes dois, quanto mais não seja por terem fundado em 1934 o "Quintette du Hot Club de France" que aqui ouvimos neste filmezinho pescado nas profundezas desse mar repleto de pequenas pérolas (e também de muito lodo) da cultura e da civilização humana, que se chama: - You Tube!...
03/09/08
Eu e este!
Não foi assim tão fácil como vos parece! Não foi não senhor! Tive que lhe gabar o lencinho azul na lapela para que se dignasse a escolher-me!Não importa! Apesar desse pequeno "quid pro quod", desconfio que nos "imos" dar muito bem! Afinal basta olhar para os nosso "frontespícios" para se concluir que ambos somos uns tipos ferozmente simpáticos!
06/08/08
Agosto lá p'ra riba
A terrinha continua linda como sempre! O estio não vai muito quente nem muito frio, ou melhor, tanto lhe dá p’ró calor como p’ró frio! De resto vê-se pouca gente. Sobretudo poucos imigrantes! Será da crise?
Este último domingo foi a festa das Cainheiras: A Senhora da Boa-Vista. Há uns anos atrás era uma das principais festas da freguesia! Agora limita-se a ser mais um acontecimento tradicional que só importa às boas gentes das Cainheiras e pouco mais! Esta coisa das velhas festas da freguesia para as novas gerações é assunto cuja cogitação não merece sequer uma milésima do seu precioso tempo! Pena! Muita pena! São justamente estes acontecimentos tradicionais e a forma como os vivemos ou como os deveríamos viver que, afinal, nos singularizam e nos distinguem enquanto comunidade.
Disso. Dessa singularidade tão nossa e tão malbaratada, percebe o Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro que nos próximos dias 15 e 16 de Agosto irá organizar o VII Congresso da História Local. A não perder…
Também no dia 15 deste mês a Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro irá organizar mais uma edição, a 58.ª, daquele que é o Concurso de Canicultura mais antigo de Portugal: - O Concurso Tradicional do Cão de Castro Laboreiro. A primeira edição foi em 1914.
Entretanto, já no próximo fim de semana (8 a 10 de Agosto) temos a Festa da Cultura em Melgaço evento no qual e como não podia deixar de ser, Castro Laboreiro e a sua cultura surgem em múltiplas e variadas manifestações (a começar pelo cartaz publicitário criado com base numa fotografia obtida no interior do velho e ilustre Castelo do Laboreiro).
Por isso em verdade vos digo: -Neste mês podem e devem, ir a gosto lá p’ra riba, pois “hai” muito que fazer “é” que ver!
“Ala”! Encontramo-nos lá riba “é” botamos-lhe um “cacharrinho”. A primeira rodada "pago-vo-la" eu!
25/07/08
Num chão frio...frio...
À falta de tempo para escrever sobre a nossa terra (isto tem andado complicado por causa da aproximação das férias!) apresento-vos a este senhor que aqui canta e que na passada sexta-feira deu um dos seus, cada vez mais raros, concertos ao vivo em Milão no Teatro Degli Arcimboldi. Chama-se Tom Waits, faz parte da banda sonora da minha vida, e é um génio! Músico, actor (é lendária a sua performance no Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Copolla!) e último poeta "beatnick" vivo, descendente em linha directa do "Rei" Jack Kerouac!
Faz parte do meu imaginário da América, da grande América, da América criativa, humanista, tolerante e libertária, não desta pequena América belicista e arruaceira que o Sr. Bush e os seus sicários têm imposto ao Mundo nos últimos anos.
God Bless ... Tom Waits
God Bless America ... Land of the free... Home of the brave ....
18/07/08
Crónica da restauração do Pelourinho de Castro Laboreiro
Entre os muitos e meritórios serviços que o falecido Padre Aníbal Rodrigues prestou à nossa terra, distingue-se a restauração do velho Pelourinho de Castro Laboreiro. Eis aqui o relato dessa façanha, publicado pelo próprio Senhor Abade, nos Cadernos Vianenses, Edição do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Tomo II, 2.ª Edição, 1979, págs. 22 a 25:«(…) Embora Castro Laboreiro fosse erecta Vila e sede de concelho por foral concedido por D. Afonso III, em 1271, o que correspondia ao direito de pelourinho, o actual monumento, desta antiga Vila, data de 1560, tendo-lhe sido concedido novo foral por D. Manuel I em 1513. Constituído por três degraus, uma base, fuste, gola e capitel, rematado por pequena pirâmide, presidiu aos destinos desta região desde 1560 a 1860, data na qual foi apeado do seu legítimo lugar e dispersos todos os seus elementos para naquele local se construir uma casa particular.
Os degraus desapareceram para sempre, não havendo possibilidade da sua recuperação. A base consegui descobri-la a fazer parte do muro de um quinteiro.


Mercê dos trabalhos de investigação do estudante Soeiro de Carvalho no Arquivo Distrital de Viana do Castelo, conseguiu descobrir-se um esboço muito perfeito deste pelourinho, efectuado pelo Sr. Coronel Fernando Barreiras, em Julho de 1917, data em que fez uma visita de estudo a Castro Laboreiro; e que servindo-se das preciosas informações do Castrejo Sr. Melchior Gonçalves, que ajudara a desmontar e destruir este antigo pelourinho em 1860, conseguiu com muita precisão representar a lápis este monumento no artístico esboço de todas as peças constitutivas do mesmo, descrevendo com bastante aproximação as respectivas medidas de cada um dos seus elementos (...).
Foi com esse referido esboço e memória descritiva de todas as peças de que este monumento constava que consegui levar a Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Norte a reconhecer como autênticos todos os elementos descobertos podendo solicitar àquela entidade a sua imediata restauração.

Vinte e quatro anos durou a odisseia da restauração do Pelourinho quinhentista do velho concelho de Castro Laboreiro. Grande Padre Aníbal! Como disse o Aquilino Ribeiro, remoçando o velho provérbio português: - «Alcança quem não cansa»!
16/07/08
Bocanegra


Aqui está o último representante da nobre linhagem dos bocasnegras.
Trata-se de um carro conceptual da Seat apresentado no Salão de Genebra 2008. Pelos vistos parece que vai ser produzido em série!
Quero um!
10/07/08
O Carteiro de Castro Laboreiro

04/07/08
Castro Megalítico

No passado dia 13/06/2007, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, e a Câmara Municipal de Melgaço, formalizaram junto da Direcção Regional da Cultura a proposta de classificação dos Monumentos Megalíticos e Arte Rupestre do Planalto de Castro Laboreiro. Leiam aqui.
Vamos ver se é desta que, finalmente, uma das maiores riquezas culturais e patrimoniais de Castro Laboreiro é revalorizada, preservada e potenciada, ou seja, vamos lá ver se, por fim, alguém olha como deve ser para o que resta da grande necrópole megalítica situada no planalto castrejo.
Um grande "bem hajam" para o ICN e para a Câmara Municipal de Melgaço, que mais uma vez demonstra o cuidado, o esmero e a preocupação com que nas últimas décadas tem tratado Castro Laboreiro.
Sobre este assunto leiam também (aqui) o magnífico comentário do Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro.
03/07/08
Castro Laboreiro, 1826

27/06/08
Primeiro Aniversário

Faz hoje exactamente um ano que iniciei este "longínquo" Blog sobre Castro Laboreiro.
Decorrido um ano a intenção mantém-se: - Falar de Castro, divulgar Castro, acarinhar Castro! Isto apesar de algumas derivas intimistas que não tive o bom gosto de conter!
Julgo que o esforço tem valido a pena. As mais de 6000 visitas ao Blog durante este último ano assim o parecem demonstrar! Mas mesmo que assim não fosse, mesmo que só fossem seis, sessenta ou seiscentas, teria valido a pena porque o prazer que tenho retirado desta realização tem sido imenso e ainda porque, como dizia o outro: - "A alma (de Castro Laboreiro, diria eu!) não é pequena!"
Agradeço a todos os visitantes que passaram e passam por aqui, mas sobretudo aos meus amigos Eira-Velha e Fotógrafa, que, tantas e tantas vezes, com os seus comentários tem impedido que me sinta um pregador no deserto!
De resto, garanto que, com ou sem deserto, vou continuar "até que a voz me doa"! E esta noite vou beber uma "champanhada" por conta do "Longe..." e à vossa saúde!
Abraços para todos.
19/06/08
Trajo de Noiva

Alice Geraldes: CASTRO LABOREIRO E SOAJO - Habitação, vestuário e trabalho da mulher; Edição do Serviço Nacional de Parque, Reservas e Património Paisagístico, Lisboa 1979
A Professora Alice Duarte Geraldes, que foi durante muitos anos docente da Universidade do Minho na área da Sociologia e da Antropologia é uma das cientistas sociais portuguesas que mais estudou a sociedade castreja nos seus vários aspectos: - Sociológicos, antropológicos etc... O seu trabalho desenvolvido em Castro Laboreiro em finais da década de 70 do século passado é por isso uma referência incontornável para quem pretenda ter uma visão minimamente consistente da sociedade castreja não só dessa década mas também das décadas anteriores.
Lembro-me de ter tido o prazer de a conhecer pessoalmente, era eu um miúdo de cerca de 12 ou 13 anos. Recordo-me de uma pessoa extremamente calma, simpática e afável, sentada num escano da nossa casa velha a ouvir as velhas estórias da minha avó enquanto a ajudava com o fuso e com a roca, desfazendo-lhe os nós da lã a ser fiada. A Professora Alice era e ainda é uma a pessoa muito querida para todos os castrejos que se lembram dela.
O texto que acima publico foi retirada de uma das suas obras fundamentais sobre Castro Laboreiro, publicada em 1979 "CASTRO LABOREIRO E SOAJO - Habitação, Vestuário e Trabalho da Mulher". Este texto para além de ser a único documento que conheço onde consta uma descrição do velho trajo das noivas Castrejas, tem também a particularidade de conter a preciosa informação sobre a época em que tal trajo foi substituído pelo "trajo da cidade", ou seja pelos modernos vestidos de noiva. Sobre isto refere a Professora Alice que segundo informações que lhe foram prestadas tal transformação se terá dado "há 12 anos atrás" ou seja por volta de 1967.
13/06/08
Pessoa a 120 anos por hora

12/06/08
As Mulheres de Castro Laboreiro

04/06/08
A "belhota"
Eu já tinha ouvido falar dela! Já outros pescadores me tinham dito que a “belhota” vivia há anos nos “Poços” abaixo das “Andorinhas”! Inclusive, já uma vez ou outra eu próprio tinha divisado a sua silhueta pesada e escura a esquivar-se logo que a minha sombra tangia as águas límpidas do rio. Naquele fim de tarde, lá vinha eu, estourado e com as pernas escavacadas por um dia de pesca que começara manhã cedo no “Salto do Gato”, e ainda por cima desanimado e encharcado pelos resultados: - Uma magra meia dúzia de exemplares de medida que me tinham custado 3 amostras e dois tombos a todo o comprido nas águas frias do Laboreiro. No entanto, quando me aproximei do “Poço” onde residia a “belhota”, uma centelha de ânimo circumnavegou o meu pobre e cansado espírito! Aquele tipo de centelha de ânimo que só os verdadeiros pescadores de trutas conseguem sentir e discernir! Aquela vontade imperscrutável de lutar, de vencer e de colher o ser mais magnificamente instintivo que habita as águas generosas e fecundas do nosso rio. Lá me aproximei, contra a corrente conforme mandam os cânones, o mais silenciosa e pacientemente que pude e, de forma pausada e comedida, consegui colocar-me numa zona escondida pela sombra de um esplendoroso salgueiral, o que me permitiu observar tranquilamente o rio. Naquele ponto, a água, revolta e voluntariosa, impulsionada pelos vários “cachons” a montante, corria velozmente pelo centro do “Poço” estreito e “acanhonado”, mas nas margens existiam pequenas áreas remansosas onde por certo àquela hora se encontrariam, fartas e gordas, as “pintalgadas” após um aprazível dia a degustar as iguarias trazidas pelas águas. O primeiro lançamento descreveu uma parábola perfeita e a pequena amostra, uma clássica “Celta n.º 1” esverdeada, caiu cerca de 20 a 25 metros de distância, sob a margem esquerda, logo abaixo do movimentado “cachon” que encimava o “Poço”. Com três ou quatro voltas do carreto consegui trazê-la para a zona remansosa e aí imprimi um movimento lento e constante ao carreto, para que a amostra pudesse desenvolver as suas rotações com a maior estabilidade possível. De repente, quando a amostra saída do “remanso” atravessava a correnteza do centro do “Poço”, um violento esticão denunciou que uma truta a tinha abocanhado e por isso, acto contínuo, levantei de sacão a ponteira da cana enquanto com um golpe do carreto tentei dar duas ou três rápidas e consistentes voltas por forma a ferrar a “pintona”. Tentei! Porque a resistência que encontrei foi de tal ordem que rapidamente desisti, temente da integridade do fio (uns 100 metros de “Mitchell” n.º 20), bem como do restante equipamento! Um sobressalto percorreu as minhas fibras mais recônditas! Seria que por qualquer manhoso acaso do destino eu tinha fisgado a velha truta!? Respirei fundo! Toda a gente sabe que um sistema nervoso alterado é o pior inimigo do pescador de trutas. Lembrei-me que em casos como este a solução é abrir a asa do carreto, de forma a, controladamente, “dar fio” à truta com o objectivo de a cansar! Assim fiz, e a truta, qual torpedo, desembestou para montante na direcção da margem esquerda dando com isso início a uma luta titânica pela sua preciosa vida. Eu lá me fui segurando, ora largando fio, ora puxando fio, enquanto o pobre bicho tentava esquadrinhar o “Poço” em busca de salvação. A luta durou cerca de dois minutos, dois minutos e meio, uma vez que a partir de determinada altura a truta deixou de oferecer resistência e assim, pouco a pouco consegui trazê-la na minha direcção com o intuito de a apanhar, uma vez que tira-la de “sacão” estava fora de questão dado que, muito provavelmente, a ponteira da cana não iria resistir. Debrucei-me, então, e pude constatar que se tratava de um exemplar magnífico que deveria rondar os 45 cm de comprimento, e que tinha a amostra cravada unicamente na mandíbula inferior, o que aliás se revelou fatal para a minha pretensão, pois que a truta, até aí aparentemente apática, logo que lhe descravei a amostra deu um magnífico impulso, torceu-se no ar e mergulhou no poço, livre e pujante de vida. O mais curioso e rísivel é que ao desenvolver, com sucesso, estes movimentos inesperados, a bicha, enquanto eu esbracejava a tentar segura-la, “sorregou-me” uma valente chapada na cara com a barbatana traseira que, apesar de não me ter magoado o corpo, me magoou profundamente o espírito! E, assim, lá fiquei eu aturdido, de mãos a abanar e com uma estranha sensação de vazio que me custou muito a digerir enquanto subia, estafado e desanimado, pelo caminho dos moinhos em direcção à “Ponte Belha” e à "Bila". Hoje, a duas décadas de distância e muitas trutas depois, ainda me lembro bem da “belhota” que naquele dia foi suficientemente esperta e valente para me escapar, mas, conforme seria de esperar, já não sinto qualquer tipo de sensação de vazio ou decepção, pelo contrário, sinto um imenso e estranho carinho por aquela bela truta, que não sei se chegou a ser pescada por alguém (espero que não!). Um carinho que abarca, para além das trutas do nosso rio, todos os seres silvestres que habitam a nossa maravilhosa terra.