06/10/08

Smile

Nesta cinzenta segunda-feira, nada melhor para enfrentar a semana do que o sorriso que o pequeno poeta vagabundo nos legou.

Thank you Charlie.

26/09/08

O regresso do guerreiro

O Laurindo, um bom e velho amigo trasmontano de Vila Real, ligou-me outro dia dizendo-me: - "Eh pá tens de vir cá cima passar o fim-de semana (na geografia simbólica dos transmontanos, Trás-Os-Montes fica sempre acima do resto do país, não há maneira de os convencer que o Alto-minho fica ainda mais para cima!) porque em Boticas vai haver uma coisa que te interessa: - Uma exposição sobre guerreiros castrejos!".

Não fosse por isso! Uma ida ao "Reino Maravilhoso" (Miguel Torga dixit) é sempre uma viagem que não carece de pretexto algum e assim lá disse ao "grande" Laurindo que contasse comigo!

Depois, lá me pus à procura de informações na net sobre a dita exposição e assim fui descobrindo umas coisas curiosas.

Vejam lá que, ao que se sabe, no princípio do Sec. XVIII uma equipa de arqueólogos descobriu no Castro do Lesenho, que actualmente se situa na freguesia de Boticas, duas estátuas de guerreiros castrejos, datadas da 2.ª Idade do Ferro (algures entre o ano 1000 ANTES DE CRISTO e o início da colonização romana). Logo os diligentes arqueólogos se encarregaram de as levar para Lisboa para nunca mais as devolverem ao seu local de origem! Tais estátuas nomeadamente a que se encontra íntegra (uma vez que a outra se encontra decapitada) vieram a tornar-se um dos ex-libris da Arqueologia portuguesa e integram actualmente o espólio do Museu Nacional de Arqueologia.



Pois é este velho guerreiro que vai regressar temporariamente à sua terra para efeitos da Exposição "Guerreiros Castrejos", que se trata de uma iniciativa conjunta entre o dito Museu e a Câmara Municipal de Boticas, iniciativa esta que prevê ainda um Colóquio Internacional designado "Deuses e Heróis nas Alturas do Barroso".
A Exposição, para além do famoso guerreiro castrejo de Boticas terá igualmente a presença dos não menos famosos guerreiros sentados que foram cedidos pelo Museu Arqueolóxico Provincial de Ourense (É! Estes não estão em Madrid! Estão mesmo na terra deles!). Para além disso, estará igualmente em exibição um guerreiro proveniente da grande Citânia de Sanfins, amavelmente cedido pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira.
Segundo se lê no site da Câmara Municipal de Boticas, será a primeira vez que se reunirá, numa exposição, um tão apreciável número de guerreiros castrejos, isto para além de outras peças como são as estátuas dos varrões tão típicas da Idade do Ferro no território trasmontano (v.g. a famosa Porca de Murça).
Pois vou mesmo passar o fim-de semana a Boticas, para dar boas vindas ao velho guerreiro. Isto com uma secreta mágoa de não ser possível, pelo menos para já, fazer-se em Castro Laboreiro algo parecido! Por exemplo uma Exposição sobre a Cultura Megalítica! Mas não perco a esperança! Um primeiro passo pode ter sido dado aqui!

A visita do Arcebispo

Há precisamente 217 anos um Arcebispo de Braga visitou Castro Laboreiro e deixou escrita uma descrição da nossa terra, no mínimo curiosa. Vejam aqui se estiverem interessados.

23/09/08

O Outono sem comentários



Música: Antonio Vivaldi - As Quatro Estações - O Outono (1.º andamento).

Intérprete: Nigel Kennedy e a English Chamber Orchestra (1989)

16/09/08

O "bailhe" da festa do Rodeiro



Grande "bailharico" este ano na Festa do Rodeiro! Parabéns minha gente! A Senhora dos Remédios até bateu o pézinho de satisfeita ao ver-vos "bailhar" esta caninha "berde".

Este ano "non" me calhou bem! Mas "pró" ano "non" falto!

Parabéns também ao AnDie4960 pelo filminho!

09/09/08

Investimento


Tal como por aqui se diz, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade está a gerir e a distribuir um orçamento de 2,7 milhões de euros a aplicar nas áreas protegidas da região norte.

Pelo que na notícia se lê, uns quantos euros serão aplicados em Castro, designadamente na reabilitação da "Casa de Dorna" e no apoio e protecção do cão de Castro Laboreiro.

Fico feliz e espero que tudo funcione como deve ser, porque em Castro, quer seja muito ou pouco, quando "vem por bem" é sempre bem vindo.

08/09/08

O cigano belga e o latino francês



Ouçam estes dois! O latino era francês, filho de italianos e um mestre do violino "Jazz"! Chamava-se Stéphane Grapelli (1908-1997). Já o cigano era Belga! Chamava-se Django Reinhardt (1910-1953) e foi um guitarrista realmente extraordinário e ainda hoje absolutamente inimitável (olhem bem para os dedos mínimo e anelar da mão esquerda do homem e verão que pura e simplesmente não tem falanges)!

Resta só dizer que o Jazz europeu nunca mais foi o mesmo depois destes dois, quanto mais não seja por terem fundado em 1934 o "Quintette du Hot Club de France" que aqui ouvimos neste filmezinho pescado nas profundezas desse mar repleto de pequenas pérolas (e também de muito lodo) da cultura e da civilização humana, que se chama: - You Tube!...

03/09/08

Eu e este!

Não foi assim tão fácil como vos parece! Não foi não senhor! Tive que lhe gabar o lencinho azul na lapela para que se dignasse a escolher-me!

Não importa! Apesar desse pequeno "quid pro quod", desconfio que nos "imos" dar muito bem! Afinal basta olhar para os nosso "frontespícios" para se concluir que ambos somos uns tipos ferozmente simpáticos!

06/08/08

Agosto lá p'ra riba

“Estube" uns dias lá riba minha gente!

A terrinha continua linda como sempre! O estio não vai muito quente nem muito frio, ou melhor, tanto lhe dá p’ró calor como p’ró frio! De resto vê-se pouca gente. Sobretudo poucos imigrantes! Será da crise?

Este último domingo foi a festa das Cainheiras: A Senhora da Boa-Vista. Há uns anos atrás era uma das principais festas da freguesia! Agora limita-se a ser mais um acontecimento tradicional que só importa às boas gentes das Cainheiras e pouco mais! Esta coisa das velhas festas da freguesia para as novas gerações é assunto cuja cogitação não merece sequer uma milésima do seu precioso tempo! Pena! Muita pena! São justamente estes acontecimentos tradicionais e a forma como os vivemos ou como os deveríamos viver que, afinal, nos singularizam e nos distinguem enquanto comunidade.

Disso. Dessa singularidade tão nossa e tão malbaratada, percebe o Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro que nos próximos dias 15 e 16 de Agosto irá organizar o VII Congresso da História Local. A não perder…

Também no dia 15 deste mês a Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro irá organizar mais uma edição, a 58.ª, daquele que é o Concurso de Canicultura mais antigo de Portugal: - O Concurso Tradicional do Cão de Castro Laboreiro. A primeira edição foi em 1914.

Entretanto, já no próximo fim de semana (8 a 10 de Agosto) temos a Festa da Cultura em Melgaço evento no qual e como não podia deixar de ser, Castro Laboreiro e a sua cultura surgem em múltiplas e variadas manifestações (a começar pelo cartaz publicitário criado com base numa fotografia obtida no interior do velho e ilustre Castelo do Laboreiro).

Por isso em verdade vos digo: -Neste mês podem e devem, ir a gosto lá p’ra riba, pois “hai” muito que fazer “é” que ver!

“Ala”! Encontramo-nos lá riba “é” botamos-lhe um “cacharrinho”. A primeira rodada "pago-vo-la" eu!

25/07/08

Num chão frio...frio...

À falta de tempo para escrever sobre a nossa terra (isto tem andado complicado por causa da aproximação das férias!) apresento-vos a este senhor que aqui canta e que na passada sexta-feira deu um dos seus, cada vez mais raros, concertos ao vivo em Milão no Teatro Degli Arcimboldi. Chama-se Tom Waits, faz parte da banda sonora da minha vida, e é um génio! Músico, actor (é lendária a sua performance no Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Copolla!) e último poeta "beatnick" vivo, descendente em linha directa do "Rei" Jack Kerouac!

Faz parte do meu imaginário da América, da grande América, da América criativa, humanista, tolerante e libertária, não desta pequena América belicista e arruaceira que o Sr. Bush e os seus sicários têm imposto ao Mundo nos últimos anos.

God Bless ... Tom Waits

God Bless America ... Land of the free... Home of the brave ....

18/07/08

Crónica da restauração do Pelourinho de Castro Laboreiro

Entre os muitos e meritórios serviços que o falecido Padre Aníbal Rodrigues prestou à nossa terra, distingue-se a restauração do velho Pelourinho de Castro Laboreiro. Eis aqui o relato dessa façanha, publicado pelo próprio Senhor Abade, nos Cadernos Vianenses, Edição do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Tomo II, 2.ª Edição, 1979, págs. 22 a 25:
«(…) Embora Castro Laboreiro fosse erecta Vila e sede de concelho por foral concedido por D. Afonso III, em 1271, o que correspondia ao direito de pelourinho, o actual monumento, desta antiga Vila, data de 1560, tendo-lhe sido concedido novo foral por D. Manuel I em 1513. Constituído por três degraus, uma base, fuste, gola e capitel, rematado por pequena pirâmide, presidiu aos destinos desta região desde 1560 a 1860, data na qual foi apeado do seu legítimo lugar e dispersos todos os seus elementos para naquele local se construir uma casa particular.
Os degraus desapareceram para sempre, não havendo possibilidade da sua recuperação. A base consegui descobri-la a fazer parte do muro de um quinteiro.


O fuste encontrei-o a servir de lintel ou padieira na chaminé da casa construída onde ele se encontrava antes de ser destruído. Preocupado com a sua restauração continuei sempre em investigações para descobrir o seu capitel. Depois de numerosas pesquisas, fui encontrá-lo a servir de óculo de luz numa casa em ruínas, a uns trezentos metros num muro dobrado e de alvenaria irregular. Facilitou-me o seu reconhecimento o facto de ser trabalhado a pico fino e de ter a gola circular voltada para fora. Somente em 1978 me foi possível desmontá-lo do respectivo muro com auxílio dos pedreiros reconstrutores das muralhas do castelo. Depois do mesmo se encontrar no solo pude averiguar que era verdadeiramente o capitel do antigo pelourinho de Castro Laboreiro, pelo facto de na face interior ostentar uma gola circular com a espessura de 5 centímetros aproximadamente; e na superior um rebaixe de uns 4 centímetros, onde poisava a pirâmide que rematava este pelourinho. Não me foi possível descobrir a pequena pirâmide.


Os trabalhos de investigação para reunir os três elementos desta preciosa relíquia do passado, prolongaram-se durante vinte e quatro anos. Mas como saber o estilo e forma deste pelourinho para a total identificação dos seus elementos e sua restauração?

Mercê dos trabalhos de investigação do estudante Soeiro de Carvalho no Arquivo Distrital de Viana do Castelo, conseguiu descobrir-se um esboço muito perfeito deste pelourinho, efectuado pelo Sr. Coronel Fernando Barreiras, em Julho de 1917, data em que fez uma visita de estudo a Castro Laboreiro; e que servindo-se das preciosas informações do Castrejo Sr. Melchior Gonçalves, que ajudara a desmontar e destruir este antigo pelourinho em 1860, conseguiu com muita precisão representar a lápis este monumento no artístico esboço de todas as peças constitutivas do mesmo, descrevendo com bastante aproximação as respectivas medidas de cada um dos seus elementos (...).

Foi com esse referido esboço e memória descritiva de todas as peças de que este monumento constava que consegui levar a Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Norte a reconhecer como autênticos todos os elementos descobertos podendo solicitar àquela entidade a sua imediata restauração.


Quero manifestar publicamente o meu sincero agradecimento a todos os donos das propriedades urbanas, onde as peças em referência se encontravam, pela cedência voluntária das mesmas. Não posso deixar de expressar, como filho de Castro Laboreiro e humilde estudioso destes monumentos, raízes desta região, o meu eterno agradecimento aos meus estimados amigos, Sr. Dr. Oliveira e Silva, digníssimo Governador Civil de Viana do Castelo; ao Sr. Eng.º José Maria Moreira da Silva, digníssimo Director do Parque Nacional da Peneda-Gerês; ao Sr. Arquitecto Roberto Leão, do Planeamento do Porto; ao Sr. Professor Carlos Alves, digníssimo Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, e ao Sr. Adelino Esteves digníssimo Presidente da Junta de Freguesia de Castro Laboreiro, por todo o auxílio e apoio que tiveram a bondade de me dispensar, patrocinando uns, a sua imediata restauração; e outros, além do seu contacto com as entidades responsáveis, a oferta do seu auxílio pecuniário. Bem hajam por todo o interesse que me concederam. A imediata restauração de tão belo e histórico monumento será a recompensa bem merecida de todos estes auxílios e trabalhos a bem da cultura nacional, que tão precisada anda de trabalhos de tamanha monta.
Castro Laboreiro, 10 de Fevereiro de 1979»

Vinte e quatro anos durou a odisseia da restauração do Pelourinho quinhentista do velho concelho de Castro Laboreiro. Grande Padre Aníbal! Como disse o Aquilino Ribeiro, remoçando o velho provérbio português: - «Alcança quem não cansa»!

16/07/08

Bocanegra




Aqui está o último representante da nobre linhagem dos bocasnegras.

Trata-se de um carro conceptual da Seat apresentado no Salão de Genebra 2008. Pelos vistos parece que vai ser produzido em série!

Quero um!

10/07/08

O Carteiro de Castro Laboreiro


“O” Carteiro de Castro Laboreiro foi e, enquanto perdurar a sua memória, há-de sempre ser o saudoso Nelo “Picota”.
Pessoa extremamente simpática, amável e dotado de um peculiar sentido de humor, o Nelo fartou-se de calcorrear a freguesia a entregar as novidades e as cartinhas vindas, sobretudo, da França e que traziam, como ainda hoje trazem, os cheques das reformas tão duramente conquistadas pelos nossos conterrâneos que esfolaram os lombos desde a mais tenra idade naquele país, fugindo à álgida avareza desta nossa querida terra.
O Nelo para além de ser “O” Carteiro também era "O" Sacristão e “braço direito” do Senhor Abade, coadjuvado, nestes ofícios, pela “Lissa”, sua irmã que ainda hoje, após o triste decesso do Nelo, exerce, competente e valorosamente, a nobre e piedosa função de ser a “Sacristã” da Igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro. Fenómeno raro este da “Lissa” ser “Sacristã”! Não devem haver muitas mulheres, na cristandade, a exercer tais funções! Por isso sejam discretos e não se ponham a espalhar por aí a notícia de tal fenómeno, isto porque se a coisa chega a Roma nunca se sabe o que poderá acontecer!?
Dizia eu que o saudoso Nelo “Picota” foi, e enquanto a sua memória perdurar, há-de ser “O” Carteiro de Castro Laboreiro. Bom! Convém desde logo que se saiba que isto de ser o Carteiro de Castro Laboreiro, como de uma qualquer outra terra esquecida nos confins desta tão maltratada Pátria, não é uma profissão qualquer! Não é não senhor! Não se trata de um mero e rotineiro funcionário que ciclicamente vai pelas ruas a enfiar sobrescritos em caixas de correio! Não é como o carteiro da cidade que, se casualmente encontramos, nos merece este fugaz pensamento: -“Ah! É o carteiro!” E não lhe ligamos nenhuma, porque afinal é só um tipo que está ali a cumprir uma tarefa que no nosso íntimo, bem lá nas obscuras profundezas do nosso íntimo, consideramos desagradavelmente subserviente! Ser Carteiro em Castro Laboreiro é coisa absolutamente diversa!
Se não acreditam vejam estas fotografias da autoria do Pedro Vilela, de seu pseudónimo Dexter! Trata-se de uma reportagem fotográfica composta pelo autor que, num frio e chuvoso dia de Primavera, acompanhou efectivamente o actual Carteiro de Castro Laboreiro no cumprimento das suas obrigações profissionais. São fotografias magníficas onde a estranha simbiose entre autenticidade e o intimismo nos revelam um Castro Laboreiro deslumbrantemente belo e digno na sua altiva e despretensiosa solidão.
Apresento aqui o meu protesto de gratidão ao Pedro Vilela e, principalmente, aos Carteiros de Castro Laboreiro, de hoje e de sempre!

04/07/08

Castro Megalítico



No passado dia 13/06/2007, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, e a Câmara Municipal de Melgaço, formalizaram junto da Direcção Regional da Cultura a proposta de classificação dos Monumentos Megalíticos e Arte Rupestre do Planalto de Castro Laboreiro. Leiam aqui.

Vamos ver se é desta que, finalmente, uma das maiores riquezas culturais e patrimoniais de Castro Laboreiro é revalorizada, preservada e potenciada, ou seja, vamos lá ver se, por fim, alguém olha como deve ser para o que resta da grande necrópole megalítica situada no planalto castrejo.

Um grande "bem hajam" para o ICN e para a Câmara Municipal de Melgaço, que mais uma vez demonstra o cuidado, o esmero e a preocupação com que nas últimas décadas tem tratado Castro Laboreiro.

Sobre este assunto leiam também (aqui) o magnífico comentário do Núcleo de Estudos e Pesquisas dos Montes Laboreiro.