21/01/09

Telefonei pra Tóquio só pra te ouvir cantar


João Aguardela (1969-2009)

Morre-se sempre um pouco, quando morrem as pessoas que nos fizeram sentir felizes.

Adeus João. Até mais ver.

14/01/09

Gaza?

Dirty Harry. Gorillaz

04/01/09

Estrada para Castro Laboreiro

Estrada da Montanha. Madredeus e a Banda Cósmica.

«(...) o azul profundo do mar (...)» é que talvez acabe por não bater certo!?

Num tempo em que somos, cada vez mais, uma colónia cultural anglo-saxónica, é um privilégio poder ouvir, ver e usufruir, uma canção como esta, que, tão simplesmente, contém em si mesma toda a beleza e singularidade do "universo" português: - De Castro Laboreiro a Cabo Verde, passando pela Baía de Luanda ou pela Ilha de Moçambique e, daí, até às mais rebuscadas esquinas do mundo...

Uma verdadeira e inestimável jóia portuguesa!

31/12/08

Recomeça...


Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga

Boas Entradas
FELIZ ANO NOVO

30/12/08

Terra frigidíssima de neves


Em 1706, no seu "Corografia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal", diz o Padre António Carvalho da Costa sobre Castro Laboreiro:
«Da Vila de Castro Laboreiro,
Duas léguas e meia de Melgaço entre o Nascente e o Meio-Dia está a Vila de Castro Laboreiro, a que vulgarmente chamam Castro.
É terra montuosa e frigidíssima de neves, seus ordinários frutos são centeio e pouco milho miúdo, muitos gados de toda a casta, as maiores ovelhas Galegas e que dão o melhor burel de todo o Portugal, e assim os melhores lacticínios produzidos dos férteis pastos de hervagens, que aqueles montes tem no Verão, a caça de coelhos, lebres, perdizes, javalis, corças, & “veaçaõ” de lobos, raposas, martas, tourões, ginetas e outros bichos é infinita, e em um pequeno regato grande quantidade de trutas. Não tem outras árvores senão poucos e pequenos carvalhos, bastantes nabos, menos couves Galegas, frias e delgadas águas.
Tem os moradores grandes privilégios, que lhes concederam os nossos reis em remuneração dos grandes serviços que lhes fizeram nos tempos das guerras destes Reinos. Governa-se por Câmara de dois Juízes Ordinários, que também servem nos Órfãos, dois Vereadores e Procurador do Concelho, eleição trienal do Povo e Pelouro a que preside o Ouvidor da de Barcelos e dois Tabeliões que servem em tudo.
Tem em rocha viva um inexpugnável castelo que uns dizem ser obra dos Mouros; outros que levantando-se na Galiza um Conde chamado Vitiza, Utiza ou Guicia contra El Rei Dom Afonso o Magno terceiro em número, mandou conquista-lo por Hermenegildo, Conde das Cidades do Porto e Tui, seu parente e Mordomo, o qual o venceu e lho trouxe preso, pelo que El Rei lhe deu as terras do traidor e entre elas a Vila de Lima, aonde depois seu neto São Rosendo fundou o Mosteiro de Cela Nova e este Monte Laboreiro, em que seu bisneto Dom Sancho Nunes de Barbosa, cunhado Del Rei Dom Afonso Henriques, fundou este Castelo, que se assim foi, seria em oposição das guerras que com o Reino de Leão tivemos. Mas pelos nomes de Castro e Laboreiro, que derivados do latim querem dizer “Castelo Trabalhoso” ou que está em terra trabalhosa, como esta o é para o trato humano, me parece ser do tempo dos romanos; e que seja mais antigo que El Rei Dom Afonso Henriques não há dúvida, pois ele o conquistou com um duro cerco, como se vê de uma Doação ao Couto de Paderne, (…), por onde atribuir-se esta fábrica a El Rei Dom Dinis seria mais reedificação que edifício. Consta de uma torre que pouco antes que os “paisanos” o entregassem aos Galegos voou com o incêndio que um raio causou dando no armazém da pólvora, que sempre o Céu ameaça as últimas ruínas com sinais antecedentes à nossa prevenção. E tem uma muralha tosca com duas portas, uma para o Poente, pela qual se pode ir a cavalo e outra para o Norte, por onde mal pode uma pessoa ir a pé. Vinte homens bastam para o defenderem de grandes exércitos mas é quase incapaz de habitar-se.
A um tiro de arcabuz para o Norte está a Vila em sítio plano, que terá setenta vizinhos, da qual é Senhor o Duque de Bragança, que dá os ofícios. Tem o termo uma Freguesia que é a seguinte.
Santa Maria de Castro, formosa igreja, foi Vigararia anexa à Matriz de Ponte de Lima, passou a Abadia dos Bispos de Tui, quando o eram também destas terras, trocou-a por outras o Bispo Dom João Fernandes de Sotomayor com El Rei Dom Dinis no ano de 1308. E hoje é Comenda da Ordem de Cristo e Reitoria com quarenta mil reis, ao todo cento e vinte mil reis e ordenado para o Coadjutor, e para a Comenda duzentos e cinquenta mil reis, tudo “data” dos Duques. Tem duzentos e vinte vizinhos de que se forma uma Companhia mui alentada.
Entre as mais Ermidas que tem à uma de Nossa Senhora de Anamão, imagem milagrosa, que está num vale junto à raia, metida nuns grandes penhascos, onde foi achada no buraco que a natureza obrou num monstruoso penedo. Dizem que a trouxeram por vezes à Igreja mas que outras tantas se tornou e por isso ali lhe fizeram a Ermida.
Na chão tão “dilstada” que terá cinco ou seis léguas de circunferência, nasce o pequeno rio em que se criam as trutas, no qual há uma pequena ponte que chamam Pedrinha, fábrica de Mouros.
Quando vamos do Porto dos Asnos ou dos Cavaleiros, passamos outro limitado ribeiro pelo qual foi a pé o Santo Arcebispo Dom Frei Bartolomeu dos Mártires a visitar aquela Igreja. Tem virtude esta água para curar a boca “lixosa” das crianças e outras enfermidades. Então disse que tarde ali tornaria outro Arcebispo e assim foi, porque “suposto” o intentou Dom Sebastião de Matos e Noronha e não o conseguiu e só em nossos tempos o fez o Eminentíssimo Cardeal Dom Veríssimo de Lancastre, nosso Inquisidor Geral quando era Arcebispo de Braga.
Para prova da frialdade da terra “baste”, que o vinho se congela no Inverno de modo que para a Missa é necessário aquece-lo, do que se tivera notícia não se admiraria o Aragonês Vitrian nas notas a Filipe de Comines (…) de o cortarem com escopro e martelo junto a Liége no exército de Carlos o Bravo, Duque de Borgonha no ano de 1468, porque como Aragão é terra quente, parecia-lhe que todo o mundo assim devia ser.»
Esta descrição corográfica é a mais antiga que conheço sobre a nossa terra e serviu de base a várias outras, posteriormente elaboradas. Tem várias curiosidades e algumas informações interessantes sobre o Castelo e até sobre uma visita que o famoso e ilustre Frei Bartolomeu dos Mártires terá efectuado à nossa terra, o que terá acontecido algures entre 1559-1581, período temporal em que o dito prelado foi Arcebispo Primaz de Braga.
Curiosa é também a referência ao vinho que congela no inverno "de modo que para a missa é necessário aquece-lo"!
Algo que estranho nesta descrição é a falta de referência ao Cão de Castro Laboreiro, pois tudo leva crer que já nesta longínqua era (finais do séc. XVII, inícios do Séc. XVIII), o raça já fosse conhecida e se destacasse como um dos "produtos" mais distintos de Castro Laboreiro!?

21/12/08

Hoje a noite é jovem...

Houve um deslumbrante poeta brasileiro chamado Vinicius de Moraes que um dia escreveu o mais belo poema de Natal. Aqui vai ele, acompanhado com os meus sinceros votos de Feliz Natal para todos; sobretudo para os meus conterrâneos castrejos, os que estão em Castro e os que se encontram na diáspora, espalhados por esse mundo de Deus.



«Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.»

Feliz Natal Meus Amigos

16/12/08

Que horas son ...?

Manu Chau

Brooklin 2006

15/12/08

Dardejando


Tenho andado arredio deste meu blog. Os motivos são pessoais! A vida tem-me pregado umas estranhas e tristes partidas e por isso, os meus níveis de motivação e de optimismo tem andado pelas ruas da amargura. Daí ter "hibernado" como bem disse o meu amigo Eira-Velha!

Hoje porém, constatei algo que me deixou sensibilizado e que não posso deixar passar em branco! A minha querida conterrânea, autora do Blog Torrada e Meia de Leite, a quem desde já agradeço, alvejou este meu Blog com o "Prémio Dardos".
Com certeza que já todos o conhecem, mas nunca é demais recomendar o "Torrada e Meia de Leite", uma vez que se trata de um Blog bem esgalhado, cheio de reflexões originais e interessantes e, sobretudo, de magníficos textos sobre Castro Laboreiro, escritos pela autora, que são de uma beleza e de uma poesia límpida e enternecedora. Vejam este por exemplo! Ou estes!
Quanto ao dito "Prémio" constato que se trata de uma iniciativa interessante que permite criar cadeias de divulgação de "Blogs", sendo que, com isto, mais e mais pessoas, bloguistas ou não, podem expandir o seu conhecimento, bem como a sua capacidade de intervenção na "blogosfera", de forma a acrescentar e desenvolver aquilo que realmente singulariza toda e qualquer realização humana: - A criatividade única e intransmissível que caracteriza, duma forma mais ou menos intensa, cada um de nós.
E assim, cumprindo as regras do dito Prémio, aqui vão os meus dardos:
E pronto! Lá vou eu! Até mais ver!

06/10/08

Smile

Nesta cinzenta segunda-feira, nada melhor para enfrentar a semana do que o sorriso que o pequeno poeta vagabundo nos legou.

Thank you Charlie.

26/09/08

O regresso do guerreiro

O Laurindo, um bom e velho amigo trasmontano de Vila Real, ligou-me outro dia dizendo-me: - "Eh pá tens de vir cá cima passar o fim-de semana (na geografia simbólica dos transmontanos, Trás-Os-Montes fica sempre acima do resto do país, não há maneira de os convencer que o Alto-minho fica ainda mais para cima!) porque em Boticas vai haver uma coisa que te interessa: - Uma exposição sobre guerreiros castrejos!".

Não fosse por isso! Uma ida ao "Reino Maravilhoso" (Miguel Torga dixit) é sempre uma viagem que não carece de pretexto algum e assim lá disse ao "grande" Laurindo que contasse comigo!

Depois, lá me pus à procura de informações na net sobre a dita exposição e assim fui descobrindo umas coisas curiosas.

Vejam lá que, ao que se sabe, no princípio do Sec. XVIII uma equipa de arqueólogos descobriu no Castro do Lesenho, que actualmente se situa na freguesia de Boticas, duas estátuas de guerreiros castrejos, datadas da 2.ª Idade do Ferro (algures entre o ano 1000 ANTES DE CRISTO e o início da colonização romana). Logo os diligentes arqueólogos se encarregaram de as levar para Lisboa para nunca mais as devolverem ao seu local de origem! Tais estátuas nomeadamente a que se encontra íntegra (uma vez que a outra se encontra decapitada) vieram a tornar-se um dos ex-libris da Arqueologia portuguesa e integram actualmente o espólio do Museu Nacional de Arqueologia.



Pois é este velho guerreiro que vai regressar temporariamente à sua terra para efeitos da Exposição "Guerreiros Castrejos", que se trata de uma iniciativa conjunta entre o dito Museu e a Câmara Municipal de Boticas, iniciativa esta que prevê ainda um Colóquio Internacional designado "Deuses e Heróis nas Alturas do Barroso".
A Exposição, para além do famoso guerreiro castrejo de Boticas terá igualmente a presença dos não menos famosos guerreiros sentados que foram cedidos pelo Museu Arqueolóxico Provincial de Ourense (É! Estes não estão em Madrid! Estão mesmo na terra deles!). Para além disso, estará igualmente em exibição um guerreiro proveniente da grande Citânia de Sanfins, amavelmente cedido pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira.
Segundo se lê no site da Câmara Municipal de Boticas, será a primeira vez que se reunirá, numa exposição, um tão apreciável número de guerreiros castrejos, isto para além de outras peças como são as estátuas dos varrões tão típicas da Idade do Ferro no território trasmontano (v.g. a famosa Porca de Murça).
Pois vou mesmo passar o fim-de semana a Boticas, para dar boas vindas ao velho guerreiro. Isto com uma secreta mágoa de não ser possível, pelo menos para já, fazer-se em Castro Laboreiro algo parecido! Por exemplo uma Exposição sobre a Cultura Megalítica! Mas não perco a esperança! Um primeiro passo pode ter sido dado aqui!

A visita do Arcebispo

Há precisamente 217 anos um Arcebispo de Braga visitou Castro Laboreiro e deixou escrita uma descrição da nossa terra, no mínimo curiosa. Vejam aqui se estiverem interessados.

23/09/08

O Outono sem comentários



Música: Antonio Vivaldi - As Quatro Estações - O Outono (1.º andamento).

Intérprete: Nigel Kennedy e a English Chamber Orchestra (1989)

16/09/08

O "bailhe" da festa do Rodeiro



Grande "bailharico" este ano na Festa do Rodeiro! Parabéns minha gente! A Senhora dos Remédios até bateu o pézinho de satisfeita ao ver-vos "bailhar" esta caninha "berde".

Este ano "non" me calhou bem! Mas "pró" ano "non" falto!

Parabéns também ao AnDie4960 pelo filminho!

09/09/08

Investimento


Tal como por aqui se diz, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade está a gerir e a distribuir um orçamento de 2,7 milhões de euros a aplicar nas áreas protegidas da região norte.

Pelo que na notícia se lê, uns quantos euros serão aplicados em Castro, designadamente na reabilitação da "Casa de Dorna" e no apoio e protecção do cão de Castro Laboreiro.

Fico feliz e espero que tudo funcione como deve ser, porque em Castro, quer seja muito ou pouco, quando "vem por bem" é sempre bem vindo.