01/01/08

Receita de Ano Novo

Bô Ano de 2008 para todos!


De um dos maiores poetas que a humanidade teve a sorte de produzir até à presente data: - O brasileiro Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31/10/1902 - Rio de Janeiro, 17/08/1987), aqui vai uma

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

26/12/07

Wise Up

Aqui vai, para todos os Castrejos no Mundo, a música mais bonita do Mundo.

E muito cuidadinho na estrada! Quero-vos ter a todos em 2008! Mesmo aqueles que não gostam de mim!

21/12/07

Um pequenito que o vivo sol da vida acarinhou

Torga outra vez; agora a acompanhar os meus votos de “Bô Natal” para todos.

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga, Antologia Poética, Coimbra, Ed. do Autor, 1981


BÔ NATAL

19/12/07

O Natal dos Cães


Sob o céu estrelado do Pólo os cães puxadores do trenó finalmente descansam. O dia foi rude e o dono também! Este nunca está contente, sempre a chicotear e a fazer-se puxar! Nunca tem um carinho ou um agradecimento…

- O que eu daria para poder viver uma bela aventura - suspira um dos jovens cães.

É então que o mais velho dos cães diz: - Bem depressa será Natal; no céu vai passar a Grande Rena conduzindo o Velho Homem. Vamos propor-lhe que este ano nos deixe puxar o seu trenó, para que a Rena repouse.

A ideia foi acolhida com alegria, e todos os cães adormeceram com os olhos cheios de estrelas.

Tradução livre da história de 17 de Dezembro das 365 Histoires d’animaux – Éditions Hemma – Belgique (autoria colectiva).

12/12/07

O sonho do cartógrafo


Dói-me a alma ao olhar para este mapa!

Dói-me ver uma terra conhecida pela união, pela fraternidade, pelo comunitarismo e pela ajuda mútua, retalhada em bocados coloridos por um cartógrafo alucinado, segundo as conveniências mais ou menos assumidas, de uns quantos indivíduos, que, para imporem as suas opiniões (enquanto escondem as suas reais e egoístas ambições!), estão a destruir um património afectivo criado por gerações e gerações de seres humanos que, unidos, lutaram desde tempos imemoriais contra um meio ambiente rude e hostil para criar uma terra que fosse boa e amiga para todos.

Este mapa, sonhado por um cartógrafo perverso e degenerado, não é o mapa da minha terra!

Aliás, a minha terra não precisa de mapas! Vai de Portelinha ao Ribeiro de Baixo e é demarcada pelos marcos iniciais da fronteira mais velha da Europa e pelas extremas das freguesias das boas gentes de Lamas de Mouro e da Peneda.

A minha terra é Dorna, é a Ameixoeira, é Barja Trabessa, é Campelo, é Curral do Gonçalo, é a Bila, é o Ribeiro de Cima, é a Adofreire, é o Bido…, a minha terra são todas as terras de Castro Laboreiro! E por isso é que a minha terra é a terra mais bonita do mundo.

A minha terra não precisa de mapas, porque nunca ninguém precisou de um mapa para amar a própria mãe!

05/12/07

Em meu nome NÃO!

No Jornal Regional.com foi publicada em 04/12/2007 esta notícia que tem a sua fonte na “Voz de Melgaço”, que como se sabe é um Jornal Local conhecido por não ser nada parcial, nem politicamente comprometido!

Desta notícia publico aqui o seguinte extracto:

«Foi também dito ao Sr. Director que isto não surgiu espontaneamente, pois este novo movimento de agrupamento é regenerador e traduz-se, não numa estrutura marginal minimalista e elitista, mas sim em quatro estruturas genuínas bem definidas. Pois estas são fruto de uma tomada de consciência mais alargada, do interior da população Castreja, que viu a necessidade de voltarem os olhos e as atenções empenhadas, para a sua terra e as suas raízes e para os enormes prejuízos que nos têm vindo a ser provocados pelos impreparados, pelos incompetentes e mal formados, e não esquecendo algum dos muitos interesses ilegítimos externos, que nem sequer respeitam a memória das suas próprias raízes».

Ora, assumindo que o que se diz neste extracto, corresponde ao que foi dito na reunião em causa, gostaria de saber se o caro conterrâneo que proferiu estas afirmações tem consciência de que não falou em nome de todos os compartes Castrejos! Pelo menos em meu nome não falou! E embora eu não seja comparte porque não sendo morador em Castro, não me encaixo na definição de comparte prevista no n.º 3 do art. 1.º da Lei n.º 68/93, de 4 de Setembro, a minha família é-o tanto como o caro conterrâneo que proferiu tais afirmações! Isto no pressuposto que o caro conterrâneo é, legal e efectivamente, morador em Castro, porque se não o for é tão comparte como eu!

De qualquer forma, saiba o caro conterrâneo (que suponho seja um dos representantes dos Conselhos Directivos das associações de Baldios recentemente constituídos) que pelo menos eu e a minha família:

  • Não nos inserimos nessa “tomada de consciência mais alargada do interior da população castreja que viu a necessidade de voltarem os olhos e as atenções empenhadas para a nossa terra e para a sua terra e para as suas raízes”. O caro conterrâneo e os que ele representa é que têm andado distraídos ou mal informados, pois há gerações e gerações de castrejos que voltaram e continuam a voltar olhos e as atenções empenhadas para a nossa terra e para as suas raízes.
  • Não nos sentimos prejudicados pela Administração de Baldios que anteriormente geriu todos os baldios das freguesias.
  • Não somos malcriados, insolentes e arrogantes ao ponto de insultar os castrejos que pertenceram à anterior Administração dos Baldios (alguns já falecidos), chamando-lhe impreparados, incompetentes e mal formados. Pelo contrário, temos por eles e por todos os castrejos (até prova em contrário) a máxima estima e consideração e sentimos gratidão pelo trabalho que desenvolveram tanto nessas como noutras funções com interesse para a freguesia.
  • Não sabemos a que interesses ilegítimos externos se referiu! Quererá o caro conterrâneo concretizar e objectivar?

Em suma, gostaria que o caro conterrâneo ficasse a saber que, embora a ele lhe possa ter parecido, na sua inconsciente ou consciente sobrançaria, que falou e fala em nome de todos os compartes castrejos, não o fez, nem o faz, nem nunca o fará, porque não tem legitimidade para isso e, mesmo que a tivesse, em meu nome e no da minha família não falou, nem fala, nem falará, isso garanto-lhe eu!

03/12/07

Castro Laboreiro - Aldeia de Portugal

A ATA classificou Castro Laboreiro como “Aldeia de Portugal”.

A ATA (Associação do Turismo de Aldeia) é uma associação fundada pela ADRIL (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Lima), pela ADRIMINHO (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho), pela SOL-DO-AVE (Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Ave) e a ATAHCA (Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave), que são, todas elas, entidades locais gestoras do programa LEADER.

«A ATA - Associação do Turismo de Aldeia tem por objectivos o apoio aos associados inscritos na Direcção Geral de Turismo nas modalidades de alojamento turístico no âmbito do Turismo de Espaço Rural, e designados por Turismo de Aldeia, Casas de Campo, Casas de Abrigo, e outras que venham a ser consideradas na lei, bem como a defesa dos seus interesses específicos e a garantia da genuinidade do produto turístico, tais como:

-Desenvolver as relações públicas e de representação exigidas pelo dever que lhe incumbe de ser protagonista comprometido perante o produto turístico e o seu desenvolvimento ambiental, económico e social;
-Promover a realização de jornadas de estudo, Seminários, Congressos e realizações similares;
-Conduzir acções de promoção e comercialização do produto turístico dos seus associados, tanto no país como no estrangeiro;
-Participar em reuniões oficiais, feiras e outras manifestações em que o Turismo de Aldeia deve fazer-se representar;
-Elaborar meios de divulgação, tais como brochuras, mapas, vídeos e diapositivos;
-Elaborar meios de divulgação, tais como brochuras, mapas, vídeos e diapositivos;
-Especificar condições, preços, serviços a prestar e níveis de qualidade;
-Manter e fazer funcionar uma sede e os serviços convenientes, entre os quais, marcações, reservas e atendimento;
-Associar-se ou filiar-se em outros organismos quando tal se mostre conveniente.

O Projecto “Aldeias de Portugal” «é dirigido para os seguintes aspectos:
-Alojamento
-Artesanato
-Produtos locais
-Itinerários culturais
-Património cultural».

E os seus objectivos gerais são:

- Potenciação do Turismo no espaço Rural e aumento das actuais taxas de ocupação.
- Fixação e rejuvenescimento das populações rurais.
- Valorização e intercâmbio cultural.
- Recuperação e promoção do Património Cultural Local.
- Criação de um complemento à economia familiar.
- Criação de uma rede europeia de alojamento em Turismo de Aldeia.

Por fim importa saber que «As Aldeias de Portugal constituem a rede nacional de aldeias rurais singulares insinuadas em paisagens idílicas, preservando um passado de tradições expresso no seu edificado, nas suas gentes, cultura, usos e costumes, que por sua vez integram a rede europeia Aldeias de Tradição/Villages of Tradition, definida pelos mesmos princípios».

in: http://www.aldeiasdeportugal.com.pt/main.php

Se querem a minha opinião, o futuro das terras economicamente deprimidas e demograficamente desertificadas, como Castro Laboreiro, passa por projectos desta natureza que potenciam o turismo de qualidade e simultaneamente estimulam a protecção do património e não por investimentos descaracterizadores da paisagem e do ambiente natural, tais como Barragens, Eólicas e quejandos. Mas esta é somente a minha modesta opinião.

30/11/07

Sondagem sobre a Barragem

Vamos lá então saber quantos estão ou não estão de acordo com a hipotética construção de uma barragem na Assureira, conforme se relata no "post" abaixo.

Façam o favor de votar!

Ah! Para quem não sabe, "Tanto me fai", é uma expressão castreja que significa "Tanto me faz", ou seja é-me indiferente.

23/11/07

Alerta-Aproveitamento Hidroeléctrico da Assureira


Por agora é só uma hipótese e tudo leva a crer que não irá passar disso, contudo, embora seja matéria eminentemente técnica, é melhor por-se ao corrente do que é que consta previsto no designado «Projecto de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» (PNBEPH):

«Para o aproveitamento da Assureira adoptou-se o NPA(?) da albufeira à cota 750m, de forma a garantir uma capacidade de armazenamento considerada adequada, representando um aumento de 7m relativamente ao previsto em estudos anteriores. Verifica-se ainda que a rentabilidade económica do aproveitamento melhora quando se aumenta o NPA(?) da albufeira.

Foi adoptada uma solução com central reversível, dado que esta alternativa apresenta condições económicas mais favoráveis quando comparada com a alternativa não reversível.

A restituição dos caudais turbinados será realizada no interior da albufeira existente de Alto Lindoso, à cota 338m.

O caudal do equipamento adoptado foi de 25m3/s, considerando um valor adequado em função do escoamento afluente à albufeira, e que é de 10m3/s superior ao origionalmente previsto.

A barragem foi prevista do tipo betão-gravidade, com uma altura de 35m, criando uma albufeira com uma capacidade de armazenamento de 4hm3. O circuito hidráulico será constituído por um túnel com um desenvolvimento total de 12,2Km e a central será subterrânea e ficará implantada próximo da restituição na albufeira de jusante.

A queda bruta nominal disponível será de 412m e a potência disponível será de 88MW, permitindo uma produção de energia de 119GWh/ano. Para a taxa de actualização de referência adoptada de 6%, a rentabilidade é francamente interessante (a TIR(?) é de 12,4%), sendo o custo actualizado da energia produzida de 0,053€/kWh.
in Projecto de PNBEPH

Apesar da referência, neste último parágrafo, à elevada rentabilidade, a verdade é que nas conclusões do Projecto de PNBEPH, a hipotética barragem da Assureira é uma das não incluídas para efeitos do futuro PNBEPH (lembrem-se que os estudo que vimos citando se trata de um projecto com diversas alternativas a considerar e não uma decisão definitiva), por se considerar que a sua implementação não é necessária para o cumprimento das metas de potência instalada estabelecidas.

Espero que assim seja, porque embora me considere, em muitos aspectos, um progressista, no que diz respeito à protecção do ambiente, das paisagens naturais e do património da minha terra sou um conservador extremista, fanático e perigoso.

29/10/07

As perdizes


Já há muito tempo que não caço nos belos montes da nossa terra. Primeiro os meus velhos camaradas de caça foram falecendo ou "reformando-se" e eu fiquei assim como... sózinho, e acabei por não me integrar em mais nenhum grupo de caçadores castrejos. Depois, a distância também influiu! Sim porque isto de fazer cerca de duas centenas de quilómetros para ir caçar a Castro, afecta não só a carteira mas também a disposição!

Contudo, nestes belos dias de Outono, continuo a sentir o "vicio" e a nostalgia da caça e a lembrar-me de tantos e tão bons momentos passados na senda das perdizes em Porquéguas, no Talefe ou em Barreiras Brancas, na companhia dos meus velhos companheiros e mestres não só na arte da caça mas sobretudo na arte da vida.

Por eles e para os meus caros conterrâneos que, por esta época do ano, continuam sadiamente a galgar e a usufruir dos nossos maravilhosos montes, praticando a nobre arte, fica aqui um grande e forte abraço, com votos de boa sorte, de outro caçador, não praticante é certo, mas para sempre caçador. E convém não esquecer que tal como disse Miguel Delibes, um famoso caçador e escritor castelhano: "Aquilo que um caçador é capaz de fazer por uma perdiz, só outro caçador o consegue entender"


12/10/07

Quando tomavit dominus rex Castellum de Laborario

Afonso Henriques

Estávamos em finais da década de 30, inícios da de 40, do século XII e os vales do Minho e do Lima estavam a ferro e fogo. Afonso Henriques, galvanizado pela vitória conseguida sobre os Sarracenos na batalha de Ourique (25 de Julho de 1137), vira a sua atenção para a fronteira norte do Condado/Reino e invade as terras de Toronho (terras da margem direita do rio Minho cujo o centro de referência era a cidade de Tuy), violando, assim, de modo flagrante, o Pacto celebrado em 4 de Junho de 1137, nesta mesma cidade, no qual tinha ficado estabelecido que tais terras eram propriedade do, auto-proclamado Imperador de toda a Espanha, Afonso VII de Leão.


Afonso VII de Leão

Saliente-se que, antes deste Pacto, tais terras, pertencentes à Condessa Teresa de Leão, passaram a pertencer, por sucessão, ao seu filho Afonso Henriques que, por isso e ainda pela adesão voluntária de parte da nobreza galega e também pela força das armas, se tinha tornado o senhor absoluto de todo o sul da Galiza, nomeadamente das províncias de Toronho e Límia (região do vale do Lima, sensivelmente situada, entre Ponte de Lima e Ourense), suserano dos condes galegos Gomes Nunes e Rodrigo Peres; vencedor da batalha de Cerneja e senhor da cidade de Tui.

Furioso com o primo irrequieto, o Imperador ordena a invasão do Minho e consequentemente, o Castelo de Laboreiro (de capital importância estratégica por se situar entre os vales dos dois rios, dominando os, então, chamados Montes de Laboreiro) é tomado pelos Leoneses capitaneadas provavelmente pelo Conde Galego Fernando Anes (Enes), Alcaide de Allariz.


Afonso Henriques, com aquela inquebrantável energia e visão estratégica que o haveriam de tornar num dos mais temidos senhores da guerra Europeus do Séc XII, não se fica! E, provavelmente, em 1140, cercou e retomou o Castelo de Laboreiro devolvendo-o ao domínio do, então e apenas auto-proclamado, Reino de Portugal.




Na altura o Castelo deveria ser uma velha fortaleza roqueira assente sobre as ruínas de uma povoação fundada, algures, na idade do ferro. Fortaleza esta que terá sido, eventualmente, restaurada entre o Sec. IX e o Séc. X, quando esteve sob o domínio da família Mendo, Mendes ou Menendez, a quem as terras dos Montes Laboreiro, juntamente com a região de Bubal e maior parte da região da Límia, foram doadas por Afonso III, o Magno, Rei das Astúrias, de Leão e da Galiza (866-910) e entre outras coisas, conquistador das cidades do Porto e de Coimbra.

Com efeito tais terras foram doadas ao Conde do Porto e Tuy, Hermenegildo Mendo, como prémio pela vitória alcançada contra o Conde Galego Witiza, ou Guicia, que revoltando-se contra Afonso III, delas se tinha apoderado. Convém ter presente que a lenda atribui ao neto do Conde Hermenegildo Mendo, o famoso São Rosendo (personagem incontornável da Gallecia do Sec. X), a fundação ou a refundação do Castelo de Laboreiro, isto muito embora não existam fontes documentais conhecidas que atestem, inequivocamente, esta possibilidade.

Para levar a bom porto o cerco do Castelo de Laboreiro, Afonso Henriques, careceu do apoio da nobreza e do clero da região. E tal apoio foi-lhe dado! Designadamente, a abadessa do mosteiro de São Salvador de Paderne, Elvira Serrazins ou Serracine, contribuiu com dez éguas e respectivas crias; 30 moios de vinho (para animar a soldadesca sedenta, digo eu!); um magnífico cavalo avaliado em 500 soldos e ainda cem áureos.

Agradecido, Afonso Henriques, em 16 de Abril de 1141, concede uma carta de couto ao mosteiro de São Salvador de Paderne. Esta carta, que conta já com a bonita idade de 866 anos, e é a mais antiga referência documental conhecida sobre Castro Laboreiro, ou pelo menos sobre o seu castelo, reza assim, na parte que nos importa:

«(…) isttum fretium et servitium fuit datum quando tomavit dominus rex Castellum de Laborario».

Ou seja:

«Este valor e este serviço foram prestados quando o Senhor Rei tomou o Castelo de Laboreiro».

E assim, como diz o ilustre e criterioso historiador Castrejo, Padre Manuel António Bernardo Pintor (Ribeiro de Cima, 1911 – Monção, 1996): «Este castelo em ruínas tem a subida honra de ter experimentado a bravura indómita do primeiro rei de Portugal que nos deixou o primeiro testemunho histórico da sua existência.»

Bibliografia:

ALMEIDA, Carlos A. Brochado de – “A Couraça nova da Vila de Melgaço; Resultado de uma intervenção arqueológica na Praça da República”; Portvgália, nova série, 2003

AMARAL, Diogo Freitas do – “D. Afonso Henriques – Biografia”. Bertrand Editora; 3.ª Edição-2000.

DOMINGUES, José – “O Foral de D. Afonso Henriques a Castro Laboreiro, “adito” para o debate”; Núcleo de Estudos e pesquisa dos Montes Laboreiro, 2003.

DOMINGUES, José – “O Direito de padroado da igreja de Castro Laboreiro na Idade Média”, Boletim Cultural de Melgaço, Câmara Municipal de Melgaço, 2002.

PINTOR; Manuel António Bernardo – “Castro Laboreiro e os seus Forais”, separata de Bracara Augusta, vol. XVIII-XIX, n,º 41-42, Braga, 1965.

PINTOR; Manuel António Bernardo –“ O Recontro de Val-de-Vez. Onde foi?, Braga, 1977.

RODRIGUES, Teresa de Jesus –“D. Afonso Henriques e o Alto Minho”, Revista de Guimarães, n.º 106, 1996.

TEJEDO, Manuel Carriedo – “XI Centenário de San Rosendo (907-2007); Patrono de Mondoñedo-Ferrol e Símbolo de Galicia”; Nuevas, 2007.

04/10/07

No "renque"

Se consultarmos um dicionário ficamos a saber que “Renque” deriva, etimologicamente, do Provençal (Occitano) “Renc” e/ou do Germânico “Hring” e significa uma fileira, uma fila ou uma série de pessoas ou coisas alinhadas. Trata-se de uma palavra em franco desuso no português norma actual, ignaramente substituída pelo anglicismo “Rank” ou “Ranking”.

Apesar destes modernismos bacocos, há um poema famoso de Alberto Caeiro (pseudónimo de Fernando Pessoa) que imortaliza a palavra "Renque". Chama-se “Um Renque de Árvores” e reza assim:

Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são cousas, são nomes.

Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de cousa a cousa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!


Em Castro Laboreiro, o “Renque” é um sítio informal, onde costumeiramente os Castrejos se encontram (se alinham!) nos seus momentos de ócio ou a caminho dos seus afazeres quotidianos e, prazenteiramente, se demoram a pôr as novidades em dia, falando do tempo, da agricultura ou de qualquer outra novidade mundana que os traga intrigados. Embora com conotações bem mais modestas, é algo assim como o “Largo” dos alentejanos tão bem descrito e caracterizado por Manuel da Fonseca na sua obra intitulada o “Fogo e as Cinzas”.

Eis aqui esta preciosa fotografia onde se vê Castrejos autênticos num Renque autêntico:



Autor: Phoenix Ocean
Fonte: Flickr

01/10/07

21/09/07

Em jeito de homenagem

Deixo aqui este filmezinho em jeito de homenagem às minhas conterrâneas e conterrâneos que deram vida ao extinto Rancho Folclórico de Castro Laboreiro.

Porque não faze-lo renascer? Não era propriamente o melhor Rancho do mundo! mas era o NOSSO Rancho!



(Este vídeo foi colocado no Video Goggle, em 21/11/2006, por autor não identificado)